<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939</id><updated>2012-02-16T01:10:31.035-08:00</updated><category term='Callema nº 4'/><category term='Esboços de qualquer coisa'/><category term='Memórias'/><category term='Breve Narrativa'/><category term='Silva e Pombo'/><category term='Breves Narrativas'/><category term='Pombo e Silva'/><category term='Gostava de ter escrito isto'/><title type='text'>Breves Narrativas</title><subtitle type='html'>Contos, Narrativas, Memórias, Leituras...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-4438658179091021760</id><published>2010-07-20T09:10:00.000-07:00</published><updated>2010-07-20T09:10:52.946-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João Carlos Silva é o autor da moda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Escusa o leitor de ir procurar na internet, este texto é ficção e corre o risco de encontrar um João Carlos Silva que aparente ser o personagem e isto causará decerto problemas de interpretação. -&amp;nbsp;O Narrador.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escreveu, aos&amp;nbsp;trinta e cinco&amp;nbsp;anos,&amp;nbsp;cinco livros.&amp;nbsp;Dois ganharam prémios,&amp;nbsp;quatro são bestsellers, um é incompreendido pelos fãs,&amp;nbsp;ainda que&amp;nbsp;objecto de culto por parte daqueles que não gostam de João Carlos Silva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João não gosta de multidões, é tímido e prefere não discutir com estranhos aquilo que escreve, por isso encontra-se, agora, num inferno muito próprio, uma Feira do Livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;É tão branco que poderia ser herói de uma dessas ficções actuais sobre vampiros. Claro que a pigmentação que possui é fruto da estadia longa e frutuosa em locais fechados, nomeadamente o seu quarto e umas quantas bibliotecas. Poderia encontrar o seu nome no baixo-assinado contra a Biblioteca Nacional, se fosse de carne e osso. - O Narrador&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está sentado ao lado de uma das barracas da editora, com o seu editor ao lado. Está quente, 35 graus, sem uma brisa que o alivie.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Só para explicar que as minhas frases encontram-se a negrito não para me evidenciar, podia ser, talvez seja essa a razão a um nível inconsciente, mas para vos dar a oportunidade de as evitar, lendo o texto sem os meus apartes. Escuso de assinar novamente, se leram as dua notas anteriores sabem que sou O Narrador.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bebe um golo de água, já morna, e levanta a cabeça. Uma mulher, morena, tanto a nível capilar como epidermicamente, lindíssima,&amp;nbsp;sorri-lhe e estende-lhe os&amp;nbsp;cinco livros. João olha para ela,&amp;nbsp;menos&amp;nbsp;demoradamente do que quereria.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;em&gt;Qual o seu nome?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;em&gt;Valquíria.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João pára um pouco. Sorri-lhe e responde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;em&gt;Morri e vou para Vallalla?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A moça olha para ele com um ar incompreensível. João pensa se vale a pena explicar a piada e desiste.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;em&gt;Não os dedique a mim, são do meu irmão e do meu pai. Eu só vim para o ver ao vivo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explica-lhe quais os nomes a colocar em cada um dos livros, João termina as dedicatórias e sem pensar, e aproveitando a situação, dá-lhe um cartão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;em&gt;Envie-me um mail, podemos falar sobre as Valquírias.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela ri, um riso que a João parece irritante e oco, mas leva o cartão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Poderia demorar um pouco explicando a presença de Valquíria nos pensamentos de João, no resto daquele dia; poderia, também, evidenciar mais alguns aspectos da personalidade de João, vincados nas suas acções ou inacções durante a sessão de autógrafos - a forma como se engasgava quando alguém lhe perguntava sobre um dos seus personagens ou quando alguém (na verdade um indivíduo de fato, gordíssimo e a suar por tudo quanto eram poros) tentava retirar algum ensinamento esotérico que simplesmente não está no livro). Poderia, posso mesmo, mas prefiro ir atrás de Valquíria, que por sinal pára em mais duas bancas, as duas de carácter esotérico/duvidoso, onde compra três livros, que me abstenho de nomear.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Valquíria chega a casa com um sorriso nos lábios. Entrega os livros ao pai e ao irmão, dirigindo-se ao quarto. Retira o cartão de João de um dos sacos. Senta-se ao computador e escreve um mail, onde demonstra toda a sua admiração, não para com o escritor, mas para o homem que este é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Claramente, Valquíria é daquelas mulheres bonitas com queda para homens apagados, talvez porque sobressaia ainda mais ao lado destes, talvez porque sofra de miopia ou dioptria (nunca sei qual), se não das duas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está para ir buscar um dos livros que comprou quando nota que recebeu um mail. Abre-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Desculpa, mas axo que t enganaste no mail, eu n escrevo, profissionalmente, p menos. Mas és gira, gostei bué da tua foto. Isto não é uma brincadeira, pois não? Envio-te uma foto minha também. Se quiseres podemos ir beber um copo."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Valquíria abre o ficheiro e pasma perante um tipo mais moreno que ela, com ar de surfista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Pode sofrer de miopia, mas não é parva. Sair com um surfista também é de valor. Quedo-me por aqui. Para quê avançar mais na narrativa, se ela já saiu dos eixos que João terá imaginado naquela tarde? Valquíria encontrou-se com o surfista. João esperou pelo mail. Desesperou até que descobriu que os cartões que tinha feito tinham um erro. Faltava um ponto a dividir o Carlos do Silva. Depois voltou a fechar-se em casa e escreveu um livro, uma história de amor sofrida, mas que acaba em casamento. A ficção serve também para isso, criar ilusões.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-4438658179091021760?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/4438658179091021760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=4438658179091021760' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4438658179091021760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4438658179091021760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2010/07/joao-carlos-silva-e-o-autor-da-moda.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-4307438216208108695</id><published>2010-05-19T09:53:00.000-07:00</published><updated>2010-05-19T09:53:59.844-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Silva e Pombo'/><title type='text'>Silva e Pombo - 14 de Maio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;14 de Maio – 6ª Feira&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;14horas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia está quente, não tão quente como fará, esperam, daqui a dois meses, mas&amp;nbsp;o suficiente para&amp;nbsp;os fazer esquecer da chuva e do frio. O inverno foi rigoroso mas, apesar do calendário dizer que já estão na Primavera, o clima parece até aqui desdizer o calendário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aproveitando o sol,e o facto das aulas terem terminado à uma e meia, Daniel convida-a a darem uma volta à praia. Escolhem a Lagoa ou o Meco como destino. A meio caminho, ela diz-lhe para pararem, ele dirige a mota para as árvores onde costumava “piknicar” com os pais quando era pequeno. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela sai da mota e encosta-se a uma árvore com um ar lânguido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;14 de Maio –6ª Feira&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;23h30&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo coça a cabeça, cansado e tentando antecipar o fim do turno, a mais de oito horas de distância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontra-se perto da paragem da Arrentela, na marginal, antes do Eco-Museu. Paragem auto-stop, numa noite de sexta-feira, trabalho não há-de faltar. Ao seu lado, Silva acende um cigarro. Do outro lado da estrada, mais três colegas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que noite. Já viste? Devem estar, o quê, uns 24 graus? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo acena, a cabeça pesa-lhe. Já tomou três comprimidos para a dor de cabeça, mas esta subsiste, sabe que o mal está nas noites mal dormidas das últimas duas semanas. Há ainda pouco trânsito,&amp;nbsp;por isso,&amp;nbsp;antes de começarem a operação, Silva quer fumar um cigarro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando este termina de fumar, começam a mandar parar carros. Não gosta desta tarefa, Silva muito menos. Eles os dois estão ali somente para prevenção, conferir limites de velocidade, taxas de alcoolemia e se os seguros estão em ordem ou não. Ao menos a noite está agradável. E o trabalho será menos pesado do que o dos colegas do outro lado da estrada, já que esses mandam parar os que voltam do Seixal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo cresceu em Paio Pires, Silva conhece meio mundo, há medida que vão pedindo aos condutores para parar, vão reconhecendo caras e encontrando amigos. Tanto um como o outro, cumprem o que lhes é pedido, mas acrescentam um ou outro pedido de desculpas, pelo tempo perdido, pelo transtorno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos que manda parar andou com ele à escola, comenta a noite que está e acrescenta que ouviu na rádio que Portugal tende a ter um clima tropical. Brasileiros já temos, diz, com um sorriso, ao menos que tragam o clima com eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva olha para o relógio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Pombo, fazemos uma pausa? Há uma hora que não fumo um cigarrito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazem a pausa, Silva pergunta-lhe como vai a dor de cabeça, Pombo esqueceu-a, com o trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Está melhor, já passou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais umas semanas e começam as festas, no Seixal, na Torre e depois em Paio Pires. Pombo tem pena que não lhe dêem férias nessa altura. A confusão é muita e as noites ocupadas a passear pelas Feiras, nomeadamente pelas do Seixal e Torre da Marinha. Aquelas duas semanas, felizmente com uma de intervalo, cansam-no e desgastam-no. O som dos altifalantes, a música, os pequenos furtos, as bebedeiras, as ocasionais lutas, combinadas ou não, principalmente na Torre da Marinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Silva, vá, estás despachado, ou quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva apaga a beata, aproxima-se da via e manda parar o carro, vira-se para Pombo e quase em sussurro realça a grandeza de Deus. Pombo estranha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal o carro encostou à esquerda, Silva reconheceu a cara do GNR que o multara quase um mês antes. Tentou não sorrir, mas não conseguiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Boa noite, senhor condutor. Os seus documentos e os da viatura, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O condutor parece atrapalhado, reconheceu-me, pensa Silva. Confere os documentos, tudo em ordem, mas um brilho no olhar do outro leva-o a pedir que saia da viatura e sopre para o balão. O agente da GNR hesita, olha para Silva e começa a balbuciar alguma coisa, Silva interrompe-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Algum problema, senhor condutor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Sabe, Agente Silva, sou capaz de ter bebido alguma coisita a mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva mede o tom e o cinismo, acrescenta um sorriso e responde-lhe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-“ Os agentes da autoridade têm de dar o exemplo, não é?” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O GNR, com ar irritado, sai do carro. Silva passa-lhe o balão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabe como funciona, certo? Ou quer que explique? É só inspirar e soprar até que lhe diga para parar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo observa a cena à distância, sem se aperceber da identidade do condutor. Estranha a postura do corpo de Silva, parece divertido, há algo aqui que não bate certo, pensa. Manda parar outro carro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva termina o auto e pede ao GNR que lhe pague os 120 euros da multa, em dinheiro ou cartão. A fúria nos olhos do condutor é visível. Pombo estranha a demora do colega, está com aquele condutor há quase 25 minutos. Finalmente, ouve Silva desejar uma boa noite ao condutor. Desconfia que o tenha multado por excesso de álcool, estranha ainda mais que o tenha deixado ir. Silva pega no telemóvel, fala durante uns segundos e Pombo percebe que está a transmitir os dados do veículo. Vê-lhe um enorme sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Para quem não gosta de passar multas, estás muito satisfeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Era o Gê Nê RÊ que me multou em Paio Pires . Vomitou 120 euros e com sorte ainda vomita mais outros 120. Telefonei ao Chaves, estão ali no Alto das Cavaquinhas, tinham-me mandado uma mensagem para o telemóvel, houve um acidente, dei-lhe os dados do veículo, se passar por ali, é multado outra vez. Por isso é que o deixei ir. Não estava assim tão enfrascado, mas o suficiente para o balão se queixar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tu às vezes… Mas mandaram-te mensagem porquê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Foi há coisa de 10 minutos, para irmos dar lá uma mãozita. Mas já não é preciso, já está no rescaldo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo sorri, a vingança fria é um prato delicioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;14 de Maio&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;23h45&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os pais estranharam que Daniel não tenha saído, ainda para mais, numa sexta-feira à noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daniel está sentado na cama, em frente à televisão, onde ganha 3-0 ao Real de Madrid com o seu SCP. Joga PES.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouve o telemóvel apitar com o tom de chegada de mensagem. 80 minutos de jogo. Já te dou a atenção devida. Nos dez minutos,&amp;nbsp;menos do que dois minutos reais, que faltam o telemóvel apita mais duas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tira o som da televisão e começa a ler as mensagens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MSG1: De certeza&amp;nbsp;k não queres vir beber1copo?Tamos no Seixal. Carlos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MSG2: Sabes da Filipa? Tem o tlm desligado. Susana&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MSG3: A TMN oferece-lhe msgs grátis…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apaga a última mensagem antes de a acabar de ler.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Porra! Porra! Porra! E agora?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Manda mensagem à Susana a dizer que não sabe nada da Filipa. Telefona para o Carlos. De início percebe que o amigo não o consegue ouvir. A chamada demora mais de 20 minutos,&amp;nbsp;quando desliga a chamada, fica a pensar nas palavras do amigo. "Não te preocupes. Deve estar lixada contigo, só isso!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apaga a luz, mas passa a noite acordado, sem conseguir adormecer.A escuridão não o acalma, nem&amp;nbsp;o adormce, bem pelo contrário, tolda-lhe os sentimentos e não pára de pensar para si mesmo, “ O que é que eu fiz? Filipa, onde é que estás?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Liga-lhe várias vezes, mas o telemóvel continua desligado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-4307438216208108695?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/4307438216208108695/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=4307438216208108695' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4307438216208108695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4307438216208108695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2010/05/silva-e-pombo-14-de-maio.html' title='Silva e Pombo - 14 de Maio'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-4526180962214569861</id><published>2010-05-03T09:24:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T09:24:40.198-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pombo e Silva'/><title type='text'>Pombo e Silva (4)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansado, abre a porta de casa. Entra, fecha-a ao trinco, hábito ganho em casa dos pais. Vai até à cozinha, abre uma garrafa de água com gás e bebe-a em três tragos, sentado no sofá, fazendo zapping com o comando na mão. Levanta-se, colocando a garrafa no chão, vai até à casa de banho e põe água a correr. Volta à sala, senta-se novamente no sofá. Está cansado, sente o corpo tenso, espera que a água quente o alivie da sensação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desliga a televisão, coloca um cd na aparelhagem. Ao seu lado não mora ninguém, mas já são onze da noite, por cima e por baixo continua a ter vizinhos, mas nunca gostou de ouvir música muito alto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao primeiro riff de bateria, sente alívio, imagina o que Silva diria da barulheira que está a ouvir, a voz de Bruce Dickinson eleva-se, as guitarras juntam-se e o bater dos sticks é cada vez mais rápido. Há coisas que não mudam com a idade. Pombo ouve todo e qualquer tipo de música, mas volta recorrentemente ao metal. Coisa estranha para Silva, que o obriga a ouvir outro tipo de música quando está com ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apaga a aparelhagem quando começa The Trooper. No escritório, vai à prateleira dos livros não lidos e pega num romance policial nórdico já iniciado. Pensa no paradoxo da situação. Na Suécia há uma média de trinta mortes por homicídio anualmente, o livro que tem na mão, The Man from Beijing, deve ultrapassar essa média nas primeiras 30 páginas. Desconhece, anda para investigar há dias, quantas mortes haverá por ano em Portugal, mas faltam-nos romances policiais para equilibrar a realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A banheira ainda tem pouca água, mas ele coloca-se lá dentro, a condensação tapa o espelho da casa de banho, ele aguenta, abre o livro e remeça a leitura onde o deixou. Trinta minutos depois, passa o corpo, primeiro, por sabão, depois por água fria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já com pijama vestido, prenda da mãe, coloca um pouco de Dimple num copo. Está na varanda, sentado numa cadeira de plástico, onde gosta de ver as luzes de Lisboa e Barreiro, ao longe. A noite está fria, mas o álcool aquece-o, gosta de terminar a noite bebendo um copo de whisky ou aguardente, vício começado com o trabalho por turnos, depois de um dia de trabalho não há nada que lhe agrade mais do que descansar o corpo e a mente com um copo na mão, normalmente o único álcool que ingere em todo o dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São poucas as vezes que o podemos ver como está, sentado na varanda, de copo na mão, sem phones nos ouvidos ou um livro na mão. Pombo perde-se dentro de si, imerso nos seus pensamentos ou não pensando em nada, acordado aqui a ali do torpor por um cão, pássaro ou pelo ruído do motor de um dos carros que passa na estrada em frente. Pensa no que Silva lhe disse, na mulher que o atendeu à hora de almoço, da ausência de luto, mas na permanência de uma certa tristeza que agora parece vislumbrar. Nunca tal hipótese se lhe pusera, dominou a língua, mais rápida que a mente, para evitar fazer algum comentário despropositado. Chegou ao café em hora morta, ao contrário do que àquela hora é costume o estabelecimento estava quase deserto, ele fez o pedido e alguns momentos depois estava a provar a pizza. Maria José sentou-se, depois de lhe pedir licença, ao seu lado e falaram pela primeira vez a sós, de assuntos não relacionados com a profissão de polícia. Conversaram durante praticamente todo o tempo que Pombo almoçou, depois começaram a chegar clientes para os cafés pós-almoço. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo tenta relembrar-se do que disseram, não se lembra de nada minimamente interessante, começa a sentir frio, olha para o copo, bebe o que resta de um trago e entra em casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pega novamente no livro, deita-se de barriga para baixo e recomeça a leitura. Ao fim de vinte páginas, está com a cabeça em cima de uma das páginas, de boca aberta, empapando a página par. Está cheio de frio, tremelica, quando acorda, a luz continua acesa, o relógio marca quatro e dez e sente a suave recordação de um sonho, tenta sem sucesso lembrar-se do que sonhou, só se lembra de Maria José, sorrindo para ele, vestida de preto. Coloca o livro no chão, numa pilha de outros, ao lado da cama, levanta-se e apaga a luz. Ali, só, de olhos abertos para a escuridão da noite, pensa na mulher que o serviu no dia anterior. Tenta evitar pensamentos mais eróticos, mas quanto mais tenta evitá-los…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adormece finalmente, amaldiçoando Silva enquanto cupido alentejano. A madrugada voltará a trazer-lhe Maria José em sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-4526180962214569861?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/4526180962214569861/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=4526180962214569861' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4526180962214569861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4526180962214569861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2010/05/pombo-e-silva-4.html' title='Pombo e Silva (4)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-6959486974649126288</id><published>2010-04-28T10:26:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T10:26:04.329-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pombo e Silva'/><title type='text'>Pombo &amp; Silva (3)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva nasceu no Alentejo, mas quis a (má) sorte que os pais viessem para o Laranjeiro, quando ele tinha dez anos. Se os primeiros anos foram anos de habituação, descobertas, os anos posteriores têm sido anos de fugas curtas, mas seguras, à terra que o viu nascer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva reconhece que só a ausência de um trabalho fixo na terra dos pais o mantém no Seixal. Anseia todo o ano pelo mês de férias para se fechar do mundo, no monte por trás do fim do mundo. A mulher acompanha-o num misto de obrigação e gosto, a filha, essa, já não os acompanha, pelo menos, durante todo o tempo que ali passam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva descobre-se a si mesmo e aos outros. Ali, numa aldeia pequena, com 4 ruas grandes, 9 tabernas, algumas baptizadas hoje como cafés. Adora acordar e ouvir os pássaros e os cães, sentir o cheiro a bosta de algumas das vacas ainda mantidas ali, que prefere ao cheiro do tubo de escape, de gasóleo ou gasolina. Passa pela rua que o leva ao centro da aldeia, vê os vizinhos tratar da bicharada, porcos, galinhas, cães, gatos, patos, cabras. Tenta tornar-se um autóctone, ajudando os familiares mais próximos a tratar da horta, couves, alfaces, tomates, limoeiros, macieiras, laranjeiras. Ir à cata de cogumelos, espargos, beldroegas. Isto é que é vida, pronuncia várias vezes, acordar às seis da manhã e ir apanhar pássaros, sem que a GNR os apanhe, fora da época. Deitar-se às seis depois de uma noite aos javalis. Silva só está no Seixal porque precisa, porque já não é possível viver só da terra. Até do bafo quente logo de manhã, antecedido por uma brisa quase gélida, gosta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está casado há 27 anos, tem duas filhas, uma com vinte cinco anos, a outra com quinze. A de vinte e cinco está casada, tem a sua vida e pouco a vê. Ainda não tem netos.&amp;nbsp;A outra pequena vive com os pais, estuda no Cavadas e, tanto quanto ele sabe, porta-se bem. Não lhe dá muito que fazer. Gosta de sair à noite, ele deixa. De semana obriga-a a estar em casa às dez e meia, ao fim de semana à meia-noite. Conhece as amigas, os pais delas, está a modos que descansado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem o conhece sabe como Silva é. Simples, de poucas palavras. Gosta do seu copito. É sincero, quer gostem de ouvir o que ele tem para dizer, quer não. Não é má pessoa, mas quando embirra com uma pessoa é, quase sempre, para a vida toda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele dia foi Silva que foi buscar Pombo. Saiu de casa, em Paio Pires, e pôs, como sempre, o carro a trabalhar, enquanto procurava uma estação de rádio que o interessasse. Puxou o cinto para o colocar, ao mesmo tempo que destrava o carro e se preparava para fazer marcha atrás.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de ouvir o click do cinto, sentiu que alguém lhe batia no vidro, um agente da GNR.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Bom dia. O senhor não sabe que deve colocar o cinto antes de colocar o carro em movimento?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva não gostou da subida de entoação no antes. “Bom dia, colega. Sei…”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro interrompeu-o. “Colega?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Sou agente da PSP, no Seixal. Tem razão, amigo, mas sabe como é…”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O agente da GNR interrompeu-o outra vez. “Não sei se sei. Os documentos do carro e a carta, se faz favor.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva respirou, inspirou, expirou, inspirou e expirou. Parou o carro. Saiu e estendeu ao GNR o que ele tinha pedido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro inspeccionava os documentos com um sorriso estúpido, ainda por cima tinha cara de parvo. “Está tudo em ordem, mas vou ter de autuá-lo, senhor” sorriu “agente Silva. Os agentes da autoridade têm de dar o exemplo, não é?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva estava vermelho. Interiormente já lhe tinha chamado inúmeros nomes, bem como aos ascendentes do GNR. Sorriu, o menos amarelamente possível. “Se o diz…quem sou eu para o desdizer.” Devem andar com falta de dinheiro, camelos dum raio, pensou surdamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há poucas coisas que unam mais Silva e Pombo do que o ódio quase visceral que têm pelos GNR de Paio Pires, não tanto pela força militar em si, mas pela qualidade moral e pessoal dos agentes que conheceram ao longo dos anos. A verdade é que pelo posto da GNR passaram inúmeros oficiais, uns melhores do que outros. Actualmente, o corpo foi rejuvenescido, dizem as más línguas, com queda para as operações de trânsito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já na esquadra, Pombo tenta acalmar o colega. Silva está furibundo com os 60 Euros de multa, em voz mais baixa vai lançando todo o tipo de epítetos. Pombo percebe o estado de espírito do colega e pouco mais faz do que aceder com a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mais Papa que o Papa, aquele filho da…”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo não arrisca sorrir, sabe como o colega reage nestas situações. Tenta colocar água na fervura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Acalma-te, Silva, não vale a pena enervares-te tanto. Ficas a saber como é que os outros se sentem quando os multamos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva dá um murro na mesa. “Porra para ti, Pedro. Nunca me viste, nem há-des ver…”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Hás-de” corrige Pombo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Deixa-te de porras, senhor professor.” Atira violentamente Silva, levando com que Pombo se decida calar. Já há algum tempo que não via o colega tão alterado. “Nunca me viste multar alguém gratuitamente. Sabes bem o que penso disso. Nem que nos atribuam quotas.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedro Pombo sabe que é assim. Silva enerva-se quando ouve contar histórias aos colegas que multaram este ou aquele porque sim, porque não foram com a cara da pessoa, porque acharam que deviam, porque lhes apeteceu. Silva não gosta de uma colega, a Justiceira, por causa disso mesmo. Tem a mania que é gente porque é agente da PSP, mas ele sabe, e diz-lhe, que é mania, falta de competência, estupidez, falta de homem, ou de mulher, já lho disse na cara. Não falam desde essa altura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo convida Silva para almoçar. “Como estás 60 Euros mais pobre, pago-te eu o almoço, que dizes?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro acalma-se inconscientemente e sorri, um sorriso atabalhoado, toldado ainda pela fúria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Obrigado, rapaz. Mas hoje a mulher não foi trabalhar, almoço com ela. Queres ir lá almoçar, já que estás tão simpático?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedro recusa, amavelmente, já tinha feito planos, já sonhara com as pizzas recém descobertas. “Deixa-me na Dona Maria José, vou comer uma das pizzas caseiras dela.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro olha para ele, momentaneamente perdido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Deixo-te onde? Ah, na Zé. Pareces o meu avô. Dona Maria José para aqui, para ali. Chama-a de Zé, pá.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo sorri, ligeiramente encavacado, mais por culpa do amigo, do que por culpa do termo ainda usado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Larga-me da mão. Chamo-a como eu quiser e como achar que devo chamar.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“A mulher é bonita, não é?” Pergunta-lhe Silva, com sorriso maroto. Pombo anui, mas Silva continua. “Pena que tenha ficado viúva tão cedo, pena ou oportunidade…”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O colega não o deixa terminar, ignorando a deixa. “Viúva? Não sabia, não me tinhas dito nada. Mas ela tem anel no dedo.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Ah!...Já lhe olhaste para o dedo!” Pedro fica ligeiramente corado, mas Silva tem pena dele, pelo menos é o que pensa, e continua. “Não sei se por homenagem ao morto ou para evitar que tentem qualquer coisa. O homem dela morreu há 4 anos, numa noite, à pesca. Estava num barco com amigos, caiu uma borrasca, o mar encrespou-se e uma vaga levou-o. Nunca o encontraram. Uma história triste, pelo menos para os que ficam. Ao menos não tinham filhos. Mas não puxes pelo assunto. Ela não gosta, como é óbvio, de falar disso. Nunca gostou. Evita puxar o assunto ou mesmo dar indicações de que sabes alguma coisa.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabaram o que estavam a fazer&amp;nbsp;e partiram, rumo à refeição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-6959486974649126288?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/6959486974649126288/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=6959486974649126288' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6959486974649126288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6959486974649126288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2010/04/pombo-silva-3.html' title='Pombo &amp; Silva (3)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-389862740951317195</id><published>2010-04-19T09:35:00.000-07:00</published><updated>2010-04-19T09:35:34.471-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pombo e Silva'/><title type='text'>Pombo e Silva (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caso do Rissol de Camarão como o apelidou Silva, com um ar saudosista, foi o momento alto da semana. O resto foi constituído pelo dia-a-dia costumeiro, rondas, pequenas ajudas, operações stop e a obrigação favorita de Pombo, a Escola Segura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo gostava de estar em frente da José Afonso, onde estudara anos antes. A escola mudara desde que ele de lá saíra, novos pavilhões, caras novas, tanto de docentes e discentes, como seria de esperar, mas também de auxiliares, o que não era menos expectável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo tinha boas memórias daquele local, à data considerada a pior escola do concelho. Ele gostou da passagem por lá, pelas Cavaquinhas, como era conhecida no concelho. Nos dois primeiros anos, a fama era merecida, a maior parte dos alunos do sexo masculino era assaltada todos os dias, a percentagem sobrante era constituída pelos meliantes. Apesar das mudanças, Pombo sentia-se em casa, talvez pelas conversas que tinha com duas ou três antigas professoras, que por ali ainda se mantinham.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva gostava menos daquilo, mas não se queixava muito, Pombo era competente e permitia- -lhe fumar e ir ao café de vez em quando. Para além da prevenção a que a presença da polícia levava, já que era dissuasora de diferentes hábitos e práticas, Pombo foi-se tornando conhecido, o que possibilitou vários contactos com os alunos, uns mais preventivos, outros mais pessoais. Ele lembrava-se da opinião que tinha enquanto adolescente da GNR de Paio Pires, preferia ser visto como um tipo porreiro e dar-se ao respeito do que como um agente que passava o dia no café e fingia trabalhar para fugir a algumas obrigações. Deixava isso, pensava cinicamente, mas com ternura, para Silva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia em que prenderam os três falsos ciganos, era só parecença, foram até ao Café do Bairro, para falarem com a Dona Maria José, ainda não a conseguia tratar por Zé, e lhe explicar como levantar o dinheiro roubado, entretanto descoberto no porta-bagagens do Seat roubado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era a segunda vez que Pombo ali entrava e desta vez aproveitou para observar, não profissionalmente, mas enquanto cliente, o espaço. Em frente da porta o balcão, paredes roxas, com flores pintadas a preto, dez mesas com quatro cadeiras cada uma. Não era, nem gostaria de ser, decorador de interiores, mas aquela não era de todo a sua ideia de decoração, no entanto, a simpatia da dona e a qualidade dos bolos, segundo Silva, poderiam levá-lo ali algumas vezes. Não morava assim tão longe e o seu bairro não tinha nenhum café digno desse nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Dona Maria José estava de calças de gang e t-shirt amarela, cor que caía bem na pele bronzeada. Pombo desconfiava que ela sabia disso. Sorria muito, um sorriso bonito que realçava a forma dos olhos, amendoada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva tomou, mais uma vez, a dianteira. Deu os bons dias, pediu-lhe umas Pedras e disse-lhe que quando tivesse tempo eles gostariam de explicar-lhe o que acontecera e como podia reaver o que lhe fora roubado. Pombo pediu um café e uma Castelo, gostava de beber água com gás e não conseguia tirar o mesmo prazer de uma das Pedras, que achava ter muito pouco gás.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva bebeu a garrafa de um trago, e enquanto esperava que Zé atendesse os clientes, pediu um bolo e uma torrada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Já almoçaste, não? Ainda consegues comer isso tudo?” Perguntou-lhe Pombo, mais para o arreliar do que admirado com a capacidade devoradora do colega, já se habituara a isso. O outro não respondeu. A mulher despachou o novo pedido e sentou-se com eles, quando o trouxe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falaram durante algum tempo, explicando o sucedido e a forma como os tinham apanhado. “Se este tipo não gostasse de revistas para miúdos, se calhar estávamos na mesma cepa torta.” Disse Silva, com manteiga a descer pelo queixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminaram a conversa, Maria José não os deixou pagar nada do que tinham consumido e, com um agradecimento sincero, meteram-se no carro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O resto da semana foi, então, banal, se exceptuarmos os pedidos de Silva, algumas vezes anuídos, a Pombo para passarem pelo café no Casal do Marco para comer(em) rissóis de camarão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-389862740951317195?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/389862740951317195/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=389862740951317195' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/389862740951317195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/389862740951317195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2010/04/pombo-e-silva-2.html' title='Pombo e Silva (2)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1457407210606962696</id><published>2010-04-12T06:56:00.000-07:00</published><updated>2010-04-12T06:56:02.619-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pombo e Silva'/><title type='text'>Pombo &amp; Silva (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São onze da noite, o dia passou-se placidamente, sem problemas de maior. Foram chamados há cerca de dez minutos. Silva reconheceu o nome do café ou o nome da rua, das duas três, pensa Pombo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pára o carro em frente do café. “É este. Vamos lá.” Diz-lhe Silva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saem do carro. Silva tem 45 anos, pouco cabelo, gordo e bonacheirão. Pombo tem 30 anos, magro, de cabelo à espera de ser cortado, vai à frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é Silva que toma a iniciativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Zé, que se passou?” Pergunta, rapidamente, enquanto observa o interior do café.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Zé?” Pensa Pombo, este tipo conhece mesmo todos os cafés do Seixal e arredores. Estão em Paio Pires, num dos Bairros novos, que eram quintas quando Pombo ali cresceu. Eu que sou de Paio Pires conheço menos gente que o Silva. Começa a perder-se em pensamentos, se Silva conhece muita gente ou simplesmente muitos cafés e as pessoas que os frequentam. A linha de raciocínio é rapidamente interrompida pela resposta rápida da dona do café.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Foram dois ciganos, Silva. Chegaram, sentaram-se, pediram duas bicas e foram ficando. A casa estava cheia, em noite de bola é sempre mais ou menos assim, como sabes, ainda para mais quando é o Benfica. Assim que esvaziou, levantaram-se, apontaram-me uma arma e levaram o dinheiro.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva acena que compreendeu o que ouviu e, antes de continuar, apresenta o colega à dona do café. Pombo aperta-lhe a mão, fica a saber que se chama Maria José, mas toda a gente a trata por Zé. Deve ter cerca de 30 anos, um pouco mais talvez, tem cabelo castanho, nariz aquilino, pela tostada pelo sol, é bonita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva continua. “Já os tinhas visto aqui? Não. Como é que eram?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Eram ciganos, sei lá como eram! Magros, vestidos de preto, um de bigode, o outro de barba de três ou quatro dias. O de bigode devia ter uns quarenta anos, seco, o outro mais novo, de olhos verdes, lindíssimos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo olha para ela, nota que tem os olhos avermelhados. Pensa que deve ter chorado, depois de assaltada, mas agora está ali, direita, voz firme, sem dar parte de fraca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Zé! Já tens idade para ter juízo, mulher.” Brinca Silva. Ela sorri, sem jeito, sem saber muito bem que atitude tomar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo percebe que ela deixou de estar à vontade, tenta ajudá-la e faz-lhe a pergunta seguinte. “Como é que fugiram?” Sente que o colega vira momentaneamente a cabeça na sua direcção. Sabe que Silva não gosta que o interrompam. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Tava outro dentro de um carro, ali mais abaixo. Era claro, branco ou creme.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O carro?” Pergunta estupidamente, corando ligeiramente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É Silva que responde. “Quem é que havia de ser? O Cigano?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Ainda há carros creme?” Quando acaba de pronunciar a frase, sente o corpo do colega retesar-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Tá calado, Pombo! Zé, consegues descrever-me o carro? De que marca?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela olha para Silva, sorri, agora à vontade. “Desde que tenham quatro rodas e andem, eu fico satisfeita. Não percebo nada de carros. Um Seat, para mim, é igual a um Ferrari. Mas uma das vizinhas diz que viu a matrícula.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo pensa que há coisas que não mudam em Paio Pires, desde miúdo que se lembra de vizinhas que pareciam ter como única ocupação estar à janela. Devia estar no intervalo da telenovela, pensa em voz alta. Silva ignora-o, Zé sorri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva começa a perguntar pela vizinha, mas Zé guardou a matrícula numa folha de papel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Ela diz que foi tudo rápido, mas que tem quase a certeza da matrícula.. Deixem ver… 10 –AD…”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo interrompe-a. “Porra! 20?” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva olha para ele, com ar espantado. Zé junta-se ao colega.“Sim, como é que adivinhou?” Silva continua a olhar para ele, mas o olhar de espanto transforma-se lentamente em compreensão. “O carro roubado ontem à noite?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O carro roubado ontem à noite” repetiu Pombo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazem mais algumas perguntas e despedem-se de Zé, prometendo voltar no dia seguinte, para mais algumas averiguações ou para dar algumas informações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva abre a janela e puxa dum cigarro. “Há aqui qualquer coisa que não bate certo”, diz Pombo. “O relatório do João não identifica os ladrões do carro como ciganos. E houve três ou quatro testemunhas.” O colega acaba de dar mais um bafo no cigarro. “De noite, todos os gatos são pardos.” Diz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo acena, mas continua. “Talvez, mas as descrições batem certo com a descrição da Zé.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva olha para ele. “De olhos verdes?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“De noite todos os olhos são pardos.” Ri-se Pombo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois dias depois, Pombo apanha Silva em casa, meia hora antes de se apresentarem ao serviço. Silva mora em Paio Pires, Pombo no Cavadas. Silva entra no carro, coça a barriga. “Porque é que vens tão cedo?” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Desculpa lá, mas hoje é dia de comprar a BD, vamos ao Rio Sul…” Responde Pombo, antecipando mentalmente a resposta. “Mas tu já não tens idade para essas porras. BD, BD. “&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Deixa-me da mão. Pago-te o café.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro olha para ele, inspira fundo e acrescenta. “E o Record também. E se era para me pagares o café, mais o jornal, podias ter vindo um pouco mais cedo. Não gosto de pressas, sabes bem. Ainda para mais logo de manhã.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobem o Alto dos Bonecos, passam pelo Casal do Marco, fazem a rotunda na direcção da estação dos comboios, quando Pombo guina repentinamente para a berma. Surpreso, Silva olha para ele. “Tás parvo ou quê?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo olha pelo retrovisor, faz marcha atrás, e aponta para o outro lado da estrada. “Silva! 10 –AD -20. Olha o carro ali.” O outro, espantado, olha para um beco junto aos prédios. Ao fundo encontra-se um Seat Marbella, branco. “Estacionado como mandam as regras do código. Transmite isso à esquadra, que venha cá alguém buscar o carro e fazer umas perguntas. Que estás a fazer?” O colega já abriu pisca e estaciona o carro ao lado do talho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo desliga o carro. “Já cá estamos nós. Começamos mais cedo. Das duas três. Ou foram-se embora, ou moram aqui perto. Pago-te já o café, de certeza que devem ter o desportivo. Bebemos uma bica primeiro, falamos com o dono do café e depois perguntamos nas outras lojas.” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva não se mostra muito convencido “Se não tiverem o Record…” Deixa a ameaça no ar, vencido pelo ar divertido, mas compenetrado do amigo. “De certeza que o carro está abandonado. Ninguém é assim tão estúpido. É certo que o carro está a modos que bem escondido....”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“ O melhor sítio para se esconderem coisas é à frente de toda a gente. Foi pura sorte, quem adivinha que a polícia passa por aqui, olhando para as ruas ao lado dos prédios? De qualquer modo, inteligência, que eu saiba, não é um requisito para se ser assaltante. Há uns mais inteligentes que outros. E o desespero torna o tipo mais parvo num assaltante audaz, estúpido, mas audaz.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Vá, anda lá ao café.” Silva entra no café, olhando para a montra. Ainda Pombo está a entrar pela porta e já ele pediu um rissol de camarão, um café e meia torrada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo pede um café e uma sandes de queijo com manteiga. Diz bom dia ao dono do café e a quem está ali sentado. O café é pequeno, uma velhota está a beber uma bica e a ler o CM, ele olha para uma mesa e vê que o Record está em cima da única cadeira vazia. “Posso tirar?”, pergunta, sorrindo para os homens. “Macacos me mordam.” Pensa. “Não há um pingo de inteligência neste mundo?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agradece o café, deixa Silva a comer o rissol e a ler o Record. Vai até à rua. Tira o telemóvel e fala durante&amp;nbsp;três minutos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva olha para ele. “Estás bem disposto, hoje? Que sorriso parvo é esse?” Pombo vai para responder-lhe quando um carro da PSP pára em frente do café. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois agentes saem, entram no café e Pombo acena-lhes.“Bom dia. Agentes Pombo e Silva, da Esquadra do Seixal.” Sente que há movimento na mesa do canto. “Bom dia, colegas.” Os outros apresentam-se. Silva olha para os colegas da Esquadra da Esquadra de Investigação Criminal da Torre da Marinha. Acaba de comer a torrada. “Experimentem os rissóis de camarão, são muito bons.” Repara que mais um carro da PSP pára em frente ao café.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais três colegas entram no café. Isto parece um comício da PSP, pensa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos polícias que chegou primeiro, pergunta a Pombo se ele quer ter a amabilidade. Pombo levanta-se, dirige-se à mesa onde estava o Record.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Bons dias, meus senhores. Sou polícia, estou desfardado, mas tenho aqui os meus colegas- Podemos pedir-lhes a vossa identificação?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os três homens olham para ele, para os outros polícias. A contragosto, mostram-lhes os BI´s. Começam a perguntar o que se passa, o que é que fizeram, quando Pombo os interrompe.&amp;nbsp;“Aquele Seat Branco é vosso?” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um deles, mais gordo, responde que não. “A que propósito vem a ser isto, senhores agentes?” Acrescenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva olha para os três, foca a visão num deles, repara nos olhos. Verdes, lindíssimos. “Filhos da mãe. Filho da mãe.”, pensa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A velhota, atenta a todo aquele inquérito, levanta-se e diz em voz alta. “Esse senhor está a mentir, que eu vi-os chegar no carro. Com estes olhos que a terra há-de comer, vi-os chegar no carro.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo sorri, novamente. Parece que tinha razão. “Obrigado, minha senhora. Meus caros, podemos fazer isto de três maneiras. Vão connosco até à esquadra, para uma pequena investigaçãozita, ficarmos com os vossos nomes, e afins. Ou deixam-me tirar-vos uma fotografia com o telemóvel e esperamos aqui dez minutos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Disse três maneiras, qual é a terceira?” Pergunta o mais magro dos três, de olhos verdes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“É uma variação das outras duas. Ou vão para a esquadra, tiramos-vos umas fotos e esperam um pouco ou tiro já as fotos e esperam na esquadra. Silva, ficaste com o número de telefone da Dona Maria José, não ficaste?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva acena afirmativamente, tira o telemóvel e passa-o a Pombo. Este faz a chamada e pergunta à Dona do café assaltado se o telemóvel dela recebe imagens. Desliga a chamada, com o seu telemóvel tira duas fotos, aos dois homens mais magros, e envia-as.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os homens vão ficando mais nervosos, suam, até que um deles se levanta e dirigindo-se a um dos polícias estica os braços, unidos. “Fomos nós, fomos. Acabem já com isso.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dos olhos verdes levanta-se rapidamente, dá-lhe um murro nos rins e é, rapidamente, agarrado por dois dos agentes. Vermelho de fúria, grita ao gordo, sentado na mesa. “Tu e mais a porra dos rissóis de camarão.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo dá uma gargalhada baixinha, o telefone começa a tocar. “Dona Maria José? Sim? Ok, já aí passamos para explicar-lhe o que pudermos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vira-se para os colegas. “São eles. Foram estes dois que assaltaram ontem o café em Paio Pires, como lhes tinha dito ao telemóvel.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O café esvazia-se momentaneamente. As pessoas que observavam do lado de fora, vão entrando, procurando saber o que se passou. O dono do café pouco sabe explicar. Silva e Pombo pagam, dirigem-se ao carro e partem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Já viste isto? Apanhados por um rissol de camarão?” Pergunta Pombo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mas os melhores rissóis de camarão&amp;nbsp;que já comi. Mas olha lá, podias ter dito qualquer coisa.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não queria dar muito espectáculo, nem sabia se eram eles. Afinal não eram ciganos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva interrompe-o. “E o outro não tinha bigode, foi um tiro no escuro.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pombo continua. “Mais ou menos. Não tinha bigode, mas tinha a barba feita, e a zona do bigode era mais branca que o resto. E não foi bem um tiro no escuro. O carro estava lá, eram três, um deles com olhos verdes. Elementar, meu caro Watson.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silva olha para o relógio, pega no telemóvel e liga para a esquadra. “Avisaste alguém lá da esquadra?” O outro responde que relatou sucintamente a situação. Silva fala com um dos colegas, pede-lhe para ele avisar o superior do que aconteceu, que ainda vão passar pelo café em Paio Pires.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Já não vais comprar a BD?” Pergunta, enquanto se dirigem para Paio Pires.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1457407210606962696?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1457407210606962696/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1457407210606962696' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1457407210606962696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1457407210606962696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2010/04/pombo-silva-1.html' title='Pombo &amp; Silva (1)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-5849911725327976961</id><published>2010-03-26T05:56:00.000-07:00</published><updated>2010-03-26T10:05:44.386-07:00</updated><title type='text'>Era  uma vez...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei que é uma forma recorrente e recursiva de começar, mas quantos textos não começam assim? E a problemática com que nos deparamos é a do início de uma narrativa. Logo é justo, ou pelo menos expectável, que uma história comece assim. Era uma vez…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que teremos tempo (ou teríamos, porque ainda que tenhamos tempo, não temos vontade) para outras caracterizações, nomeadamente temporais, geográficas, psicológicas e outras que tais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas se o conto tem de começar por algum lado que comece pela sua vez, era uma vez, distinta de outras, ainda que igual a outras tantas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez… Afinal não! Os autores enganam-se, escolhem formas e fórmulas, pensam, repisam nas palavras e frases, avançam e voltam atrás, recomeçam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há muito tempo atrás (parece-me melhor!), tão atrás que não guardamos registo de ter existido, havia um reino no meio de um deserto. Como foi ali parar, como alguém decidiu construir alguma coisa ali não sabemos. Seriam loucos, fugitivos, nómadas fartos de viajar, ascetas? Fiquemos na dúvida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temos à nossa volta um deserto. O reino encontra-se a sudoeste, a cem quilómetros de uma rota de comerciantes. Não é desconhecido, reina na mente de muitos, maioritariamente como uma fábula, uma lenda. Poucos são os que se afoitam a caminhar cem quilómetros de deserto, areias movediças, tempestades de areia e escorpiões!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse reino, como em quase todos os reinos da Antiguidade e antes dela, há um líder (o nome varia de cultura para cultura). Esse líder tem 30 anos, pele obviamente tisnada pelo sol. É amado pelo seu povo, igualmente encarvoado. É justo, pouco dado, obviamente, a trabalhos manuais, mas amante da sabedoria popular e filosófica. O povo estranha esta tendência, diz em palavras baixas que o rei troca sem pesar uma noite de prazer carnal por uma tertúlia com os sábios, filósofos, mágicos e velhos ascetas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia esse Rei olhou para o sol. Durante uma hora, não fechou os olhos, tentando, talvez, vencer o brilho do astro pela tenacidade. Em vão, o sol continuou a refulgir, os olhos do Rei sofreram o castigo na impertinência, não ficou cego, mas a visão ficou reduzida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa noite, o Rei convocou aqueles que se dedicavam à arte do pensamento, da discussão, da oratória. Mas convocou mais alguém. Um viajante que ali chegara delirante, quase morto, e que convidado a ficar não ousou voltar a palmilhar as quentes areias do deserto. O Rei tornara-o o seu pessoal contador de histórias, não imaginadas, assim esperava, mas reais. O que lhe pedia era simples, "descreve-me o que conheces para além do deserto".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidiu, naquele dia, que o homem devia contar a todos os outros o que lhe contara a ele. O homem vinha de uma terra onde o sol nascia e se punha no horizonte. Todos os dias, contara-lhe, havia horas de luz, entre o momento em que o sol nascia e o momento em que terminava a sua viagem no céu. Depois vinha a noite, por vezes escura, outras mais clara, havia – dizia o homem - um outro astro, a lua, que por vezes apresentava-se com fulgor, mas sem o calor do sol, outras quase que se ignorava no céu. "Existem estrelas, pontos mais pequenos, brilhantes, e em grande número", acrescentara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Rei sonhou com isto, acordado, mas também a dormir. Sabia que a imaginação era poderosa, as discussões, as histórias tinham-lhe provado isso, pelo menos isso. Mas o Rei guardava no seu coração um desejo, queria ver esse espectáculo ao vivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem contou várias histórias, hábitos, descreveu animais, paisagens, frutos e no fim, como o Rei lhe tinha pedido, falou do sol, da lua, do firmamento estrelado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conselho de sábios torceu, metaforicamente, mas num caso ou dois objectivamente, o nariz. Discutiram esta última parte, chegando à conclusão, maioritária, de que o homem estava louco, afinal o calor e fulgor tórridos do sol tinham deixado a sua marca naquele pobre desgraçado. Externamente foi isto que repassou, mas internamente todos sonhavam com aquela possibilidade, criando e recriando nos seus interiores o que tinham ouvido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem terminara com uma frase que os marcara. “Continuo a achar estranho que aqui o sol não nasça, mas o que mais me marca é não poder voltar a ver o sol se pôr.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucos anos passaram, tudo corria na modorra alegre do dia-a-dia. Mas na cabeça de muitos havia o desejo de não morrer sem ver aquele expectante desconhecido, o sol a viajar no céu, a despedir-se por algumas horas e em seu lugar uma escuridão de pequenos pontos luminosos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, como porventura sabeis, o desconhecido exerce um poder enorme sobre o nosso conhecido, sobre a nossa inércia. O desejo começou a transformar-se em vontade, a vontade em projecto e um dia um grupo de jovens, homens e mulheres, decidiu pôr em risco a sua vida, a sua rotina e pôs-se a caminho, guiados pelo homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Riscos e medos pairavam na sua mente. Conseguiremos ver a noite, como o estranho lhe chamara? Se algum dia chegarmos lá, voltaremos? Quereremos voltar? Conseguiremos voltar? Despediram-se dos amigos, dos familiares, do local a que chamavam casa e Reino, despediram-se de um Rei pesaroso, que via e abençoava a ida de alguns aventureiros abençoados pela vida e pela sorte. Ele teria de se quedar ali, não porque quisesse, mas porque sim. Um Rei é um REI e tem obrigações, morais, sociais, políticas e, neste caso, locomotivas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O grupo partiu e nunca mais voltou. Sei que poucos chegaram a esse local onde o sol nasce e se põe, dando lugar à lua. Foram poucos os que ali chegaram, de lábios gretados, meio loucos. Mas a alegria, a surpresa que tiveram quando viram a finalmente a lua e as estrelas valeu pela viagem, pelas mortes, pelas lágrimas, que a determinada altura secaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminemos a história. No reino, no deserto, debaixo do sol abrasador, o Rei ia temendo pela vida dos que tinham partido, irritado com a sua condição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia, já velho, tomou uma decisão. Começaram a retirar as muralhas de um lado da cidade e a reconstruí-las do outro, na direcção que o grupo tomara. A cidade percorreria o caminho até às estrelas. Como se supõe, era uma obra lenta, cansativa e que penou o carinho do povo pelo seu rei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem que morreu louco, só, desafiado pelo povo que se fartou de estar a carregar pedras de um lado para o outro,&amp;nbsp;consciente da sua condição, das suas latitudes. Mas se é verdade que morreu, não é mentira dizer que ao morrer sonhou com as estrelas, sem contudo as poder ver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-5849911725327976961?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/5849911725327976961/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=5849911725327976961' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5849911725327976961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5849911725327976961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2010/03/era-uma-vez.html' title='Era  uma vez...'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1764932833818149737</id><published>2009-11-18T05:07:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T05:07:45.343-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breve Narrativa'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os últimos anos mudaram-no, sem que se aperceba muito bem como e porquê. É uma evolução ténue, mas consistente. De ano para ano, de encontro para encontro reconhece que já não é bem o mesmo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viu um vídeo com 15 anos. Menos 40 quilos. Sem barba. Cara de parvo. A rir, a falar. Mas num ou noutro segundo o ar actual, sério, macambúzio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será que é outro hoje ou era outro ontem? O ar sério, triste, melancólico já lá estava, escondido pelo sorriso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isto que é ser adulto? Medir as palavras, as consequências, não se conseguir exprimir, ficar atolado em sentimentos? Perder-se dentro dele, sem rir?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca teve jeito para pessoas. Evita perguntar como vão, já que à medida que as pessoas vão envelhecendo vão trocando&amp;nbsp;o "tudo bem" por um rosário de problemas e apoquentações. E ele ali, sem saber o que responder, entre o sorriso amarelo e o desejo de fugir. Às vezes coloca a mão nas costas delas, nas suas mãos, olha-as nos olhos, pedindo a Deus que o tire dali.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desejo de estar com pessoas foi diminuindo. Prefere estar só, consigo, conversando interiormente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O trabalho é mecânico, sem prazer, seco. As vezes em que é obrigado a comunicar, com colegas, patrão, clientes é profissionalmente correcto, mas fica por aí. Não almoça com eles, não troca mails ocos, não consegue rir das piadas brejeiras que correm pelo escritório.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, quando chega a casa pegará na cassete de vídeo que viu, mencionada anteriormente, depois de a ver, destrói-a, tentando apagar o que foi, evitando mudar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os últimos anos mudaram-no. Mesmo não entendendo, ele vai evitando ser o que já foi, fechando-se e apagando-se.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1764932833818149737?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1764932833818149737/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1764932833818149737' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1764932833818149737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1764932833818149737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/11/os-ultimos-anos-mudaram-no-sem-que-se.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-3406586709229323773</id><published>2009-05-14T09:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T09:36:20.241-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escreveu sem dizer nada a ninguém. Enviou o livro para algumas editoras, só uma lhe respondeu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordaram numa edição curta. Autor novo, livro um pouco longo. Foram algumas das "desculpas" dadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O importante para ele era ser editado, embora não soubesse explicar porquê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma, duas, três crónicas. Uma demasiado entusiasta, versava sobre a forma como uma palavra no meio do livro alterava todo o contexto e reformulava a imagem da literatura nacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não percebeu. Uma palavra no meio do livro? Que raio...?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agarrou numa das suas cópias e leu o que escrevera. Na página 150 depara-se com a palavra, obviamente um erro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse ano ganhou dois prémios e os seus livros começaram a ser editados em Espanha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sucesso foi retumbante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estupidamente, pensa. O meu desejo é alterar isto, colocar a palavra bem escrita, mas infelizmente um erro deu-me sucesso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Anda, obviamente, com um bloqueio. Não consegue escrever nada. Não sabe o que as pessoas acharam do livro, toda a gente fala da inteligência daquela palavra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cirrose está a um passo, perdão, copo de se tornar realidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-3406586709229323773?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/3406586709229323773/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=3406586709229323773' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3406586709229323773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3406586709229323773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/escreveu-sem-dizer-nada-ninguem.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1636701441868476742</id><published>2009-05-08T09:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T09:41:08.252-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gostava de te dizer pessoalmente o que sinto. Sonora e arrebatadamente. Mas tenho medo do tom de voz, e de ser mais ou menos espalhafatoso.&lt;br /&gt;Todo eu tremo cada vez que olhas para mim. Gostava de ser dono dos teus olhos. De entrar dentro da tua alma, de te conhecer mais intimamente.&lt;br /&gt;De antecipar cada palavra, cada sopro, cada suspiro. Acho que já o faço, mas dissimulo. Tenho medo da tua reacção. De te ouvir dizer “que não”, “afasta-te” ou “estás louco(?)”. E estou, imensamente louco por ti.&lt;br /&gt;É loucura, é paixão, e amor. Três coisas diferentes. Mas que se juntaram para dar cabo da minha sanidade.&lt;br /&gt;Há pouco entraste na sala. Com aquele sorriso tímido, mas belo. Um ar humilde, quando podias ser petulante. Os olhos negros, nessa escuridão não teria medo de entrar. Esse olhar sereno enlouquece-me. Pouco a pouco. Sorriste-me, como sempre sorris. E perdido, encontrei-me.&lt;br /&gt;Aceita esta carta. Responde-me. Não, não respondas. Ou melhor…&lt;br /&gt;Não sei se alguma vez ela chegará a ti. Vê como me deixas. Perdido, com medo de me encontrar. E gostava que fosses o meu ponto cardeal, mas tenho medo da viagem. De não chegar a bom porto. Medo que tu sejas a tempestade que me destrói e não o suave porto que me acolhe.&lt;br /&gt;Amo-te. Menos do que poderei. Mais do que consigo suportar e, essencialmente, calar.&lt;br /&gt;Tímido demais para gritar ao mundo, amo-te. Grito-o aqui, nesta folha de papel. Só para ti.&lt;br /&gt;És senhora da minha voz.&lt;br /&gt;Amo-te.&lt;br /&gt;E tu?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(carta de amor escrita para um concurso da Bertrand, mas nunca enviada)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1636701441868476742?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1636701441868476742/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1636701441868476742' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1636701441868476742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1636701441868476742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/gostava-de-te-dizer-pessoalmente-o-que.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-5427360318621322305</id><published>2009-05-08T09:07:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T09:33:58.386-07:00</updated><title type='text'>Passa, passas, passou?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O tempo passa. Passa por nós, por onde andamos e é das coisas mais subjectivas que existem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes um minuto parece demorar uma eternidade, outras parece um segundo, a favor do tempo, parece que há alturas em que o minuto parece mesmo demorar um minuto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, avancemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo passa, e nós? Estou no mesmo sítio onde há dez anos te conheci. Sou o mesmo? Claro que não! Onde andas tu? O que fazes? Não sei. Há algum tempo que não pensava em ti...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E como as coisas mudaram. Lembro-me de uma altura em que mesmo que quisesse não o podia deixar de fazer. O outro dia quando me apresentaram alguém, extremamente parecida contigo, olhei para essa pessoa largos segundos, se é que os segundos se alargam, e só quando o nome dela se afundou em mim tive a certeza de ser outra que não tu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo passa? Passa. E por mais que a situação nos pareça fútil ou importante, ele limpa-nos, circuncida-nos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir de quando te afastaste nos meus pensamentos? Quando deixei de pensar em ti? Toldaste-me dias inteiros, zanguei-me com o mundo, com os meus amigos, com quem não conhecia quando, depois de marcarmos um encontro, não nos víamos. Outros tempos... Sem telemóvel, sem carro. Será que hoje seria diferente?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antigamente colocavam o amor nas mãos de Cupido, depois de colocarem o amor nas mãos dos interesses das famílias ou clãs. Colocarão hoje alguns o amor nas tecnologias?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas falo de amor... e tenho de colocar-me a questão "Amei-te?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentia-me inebriado na tua presença. Sempre que te via, perdia-me no futuro, sem atentar no presente. Não me sentia atraído sexualmente, sentía-me atraído por ti, achava-te a mulher, perdão, a miúda mais gira que conhecia. Infelizmente, a velha máxima servia-te. Eras um pouco tola. E talvez fosse isso. Mas, amei-te?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei porque é que estou aqui, frente a um monitor, de noite. Quando todos fazem silêncio e muitos descansarão, escrevo isto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que casaste. Pouco mais sei. Eu? Aqui estou, solteiro convicto, com amigos verdadeiros, mas com pena de não ter mais gente a morar neste velho apartamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando me apresentaram aquela mulher, senti algo dentro de mim a mexer. Percebi que os adeptos dos blind dates, encontros amorosos tentavam fazer de cupido. Era ela linda, inteligente e muito divertida. Eu, na primeira oportunidade, saí da festa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porquê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo estar parvo, se é que não o sou. Mas quando senti o coração bater mais rápido...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tive medo. Não adivinhas, pois não? Tive medo não de alguma coisa poder acontecer ou deixar de acontecer. Tive medo de...te ver nela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não rias ou sorrias sequer. Já passei por isso. Gostar de alguém por me lembro de ti, gostar não dela, mas de ti, olhar para ela e ver-te a ti, como o reflexo de um espelho. Tive medo que na minha mente ela já não fosse quem ela é, mas sempre tu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou louco, velho, demasiado só?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo passa. Mas às vezes faz gazeta, acredita no que te digo. Por muito que me custe, tu ainda não passaste por mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-5427360318621322305?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/5427360318621322305/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=5427360318621322305' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5427360318621322305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5427360318621322305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/passa-passas-passou.html' title='Passa, passas, passou?'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1459556177540026797</id><published>2009-05-08T08:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T08:45:03.582-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olha para o copo, para o whisky dentro deste. Dá mais uma golada.&lt;br /&gt;Sempre se considerou um homem com humor, sempre gostou de rir, e tem pena que já não haja boas anedotas.&lt;br /&gt;Há um mês contaram-lhe uma sobre o Primeiro-Ministro. Achou piada, não tanto pelo sentido de humor, mas...pela crítica, por...sabe lá, uma anedota é também um curto tratado sociológico.&lt;br /&gt;Poucos dias depois, contou-a a dois colegas durante um coffee-break.&lt;br /&gt;Enche o copo mais uma vez.&lt;br /&gt;Um dos colegas chibou-se, o circo começou e o pão foi oferecido pelas televisões, rádios e jornais.&lt;br /&gt;O telemóvel não mais parou, uma semana depois disseram-lhe que estava demitido.&lt;br /&gt;Bebe mais um gole...&lt;br /&gt;"Porra! E o pior é que contei mal a anedota..."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1459556177540026797?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1459556177540026797/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1459556177540026797' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1459556177540026797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1459556177540026797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/olha-para-o-copo-para-o-whisky-dentro.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-8641726272434747279</id><published>2009-05-08T08:42:00.002-07:00</published><updated>2009-05-08T08:43:01.931-07:00</updated><title type='text'>Jogos de Palavras</title><content type='html'>O circo passava por imensas dificuldades financeiras.&lt;br /&gt;Desesperado, decidiu clonar um clown.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-8641726272434747279?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/8641726272434747279/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=8641726272434747279' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8641726272434747279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8641726272434747279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/jogos-de-palavras.html' title='Jogos de Palavras'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-3167867338152581519</id><published>2009-05-08T08:42:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T08:42:36.715-07:00</updated><title type='text'>Hábitos Linguísticos e a teimosia de cada um</title><content type='html'>Passou por um antigo cliente, ele sorrindo-lhe disse-lhe:-Ora, viva.&lt;br /&gt;Sendo do contra, morreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-3167867338152581519?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/3167867338152581519/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=3167867338152581519' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3167867338152581519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3167867338152581519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/habitos-linguisticos-e-teimosia-de-cada.html' title='Hábitos Linguísticos e a teimosia de cada um'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-3456643236613452025</id><published>2009-05-08T08:40:00.003-07:00</published><updated>2009-05-08T08:40:39.385-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chove lá fora e dentro de mim. Cliché, claro, mas não menos verdade.&lt;br /&gt;Não morreu ninguém. Simplesmente, acordei cinzento - mais um cliché!&lt;br /&gt;Como explicar que um sentimento nos possa transformar o ser, mesmo que por breves momentos? Sejam eles minutos, horas, ou dias? Que a brevidade depende sempre do contexto. Não costumo ser assim...&lt;br /&gt;Estou num daqueles momentos em que tudo me sai mal, da boca, do corpo, as palavras saem afiadas, os jeitos tornam-se mais ameaçadores do que esperado, o olhar é menos simpático.&lt;br /&gt;Acordar depois de uma noite bem dormida, ser incapaz de sorrir, olhar-me no espelho e sentir pena, algum tipo de asco e estranheza perante a pessoa que sou reflectida ali. Por alguma razão olhamos para fora de nós. Penso que poucos ficam felizes com o que vêem aos espelhos, eu sei que não sou um desses. Olhar é ver o que está perto de mim, longe também. É esquecer-me um dia inteiro do que sou, de como pareço. É esquecer-me da minha aparência, é ausentar-me de mim. E depois, passo por um espelho, por vezes um vidro, e tenho um vislumbre de quem eu sou, da matéria de que sou feito.Quem és tu? Perdão, quem sou eu?&lt;br /&gt;Vestir-me na estranheza de me cobrir, reinventar a idumentária, demasiado cinzenta, pouco negra. Vestindo um corpo que não bate com a alma, sendo alguém fisicamente diferente da pessoa dentro desse mesmo corpo.&lt;br /&gt;Chove lá fora...&lt;br /&gt;O meu estado de espírito não depende do tempo, já passei por isto em dias solarengos, quentes mesmo. Por isso, sei que andarei todo o dia a pingar, a chover este estado de espírito e é isso que mais me intranquiliza.&lt;br /&gt;Espero que o sol apareça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-3456643236613452025?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/3456643236613452025/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=3456643236613452025' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3456643236613452025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3456643236613452025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/chove-la-fora-e-dentro-de-mim.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1381559115411491901</id><published>2009-05-08T08:40:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T08:40:16.246-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entrou no alfarrabista num misto de alegria e alergia. Adora livros, velhos ou novos, ´tijolos` ou ´calços` de mesas, romances ou livros mais específicos.&lt;br /&gt;Olhou à sua volta. Por onde começar? Espirrou uma primeira vez, ao pegar numa edição do início do século do seu romance português favorito - Os Maias.&lt;br /&gt;Demorou imenso tempo na primeira estante. O dono, ali não havia empregados, pergunta-lhe se o pode ajudar, se procura algo específico.&lt;br /&gt;"Nem sim, nem não." - responde. "Quero um livro, não sei qual. Acho que é ele que me vai escolher."&lt;br /&gt;O alfarrabista sorri, está habituado a excêntricos, lunáticos, estudiosos, professores universitários, a leitores, a profissionais da escrita e aos amantes do livro.&lt;br /&gt;Percebendo que cada um é como é, e que a relação com os livros é pessoal, sui generis, como uma relação entre marido e mulher, deixa-o só, após mais um espirro.&lt;br /&gt;O homem vai vendo os títulos, as lombadas, os autores. Demora tempo com alguns livros, pesando-os, pensando no título, procurando entre as páginas algo que o prenda.&lt;br /&gt;De repente, pega num volume amarelado pelo tempo. Espirra uma e duas vezes. O título fascina-o, não conseguindo perceber qual será o assunto. "Míriades ausentes". Desfolheia o livro. Fascinado com a tipologia do mesmo, sente que foi escolhido. Imagens, gravuras, poemas, crónicas, contos, tudo cabe dentro daquelas páginas.&lt;br /&gt;Pergunta ao alfarrabista, que já o observava há algum tempo, o preço. Este sorri-lhe, diz que é uma oferta. O homem tenta perceber a razão.&lt;br /&gt;O alfarrabista sorri-lhe, diz-lhe que fica para outra ocasião. "Leia-o primeiro, se quiser falar depois disso, venha até cá. De qualquer modo, acho que o livro o escolheu, realmente."&lt;br /&gt;Ainda mais curioso, agradece ao velho dono, e avança a passos largos para casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1381559115411491901?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1381559115411491901/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1381559115411491901' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1381559115411491901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1381559115411491901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/entrou-no-alfarrabista-num-misto-de.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-513517248199797039</id><published>2009-05-08T08:39:00.003-07:00</published><updated>2009-05-08T08:39:46.170-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A música entra-lhe no espírito. A letra, o compasso, a alegria.Tudo o contagia. Bate as palmas, olhando para a estrada.O carro derrapa um pouco, a alegria torna-se em susto, as mãos não conseguem suster o volante.Estampa-se contra uma parede. Ileso.&lt;br /&gt;Ileso? O ego, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-513517248199797039?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/513517248199797039/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=513517248199797039' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/513517248199797039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/513517248199797039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/musica-entra-lhe-no-espirito.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1227873604243922604</id><published>2009-05-08T08:39:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T08:39:25.663-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Dizem que os olhos são a janela da alma.&lt;br /&gt;Não sei se serão, provavelmente por descuido e impossibilidade de analisar as almas.&lt;br /&gt;Mas há olhos que nos prendem. Pela forma como enquadram um rosto, pela tristeza ou felicidade que deles emana, pela timidez ou coragem, porque sem olhos seríamos bem menos expressivos.&lt;br /&gt;E lembro-me dela, a entrar na sala, num passo tímido, com os olhos em baixo.&lt;br /&gt;Dela à procura de uma cara conhecida, em vão.&lt;br /&gt;E enquanto ela percorria a sala, os meus olhos tentavam percorrer os seus, ciente de que não me via.&lt;br /&gt;Via o nariz pequeno, bem desenhado, o cabelo castanho, pelo ombro, o vestido justo ao corpo, mas não demasiado justo, e a timidez, que de tão grande a vestia segunda vez.&lt;br /&gt;Ela olhou-me, nos olhos, um segundo, menos que isso. Sentou-se numa das cadeiras, e ali ficou.&lt;br /&gt;Numa folha de papel somos que quisermos, como quisermos. Num conto somos valentes e corajosos. Na vida real, na vida real temos medo do outro.&lt;br /&gt;Fiquei mais algum tempo ali. Olhando para ela, de costas para mim. Imaginando aquilo que poderia ver, se quisesse. Os olhos dela.&lt;br /&gt;Saí, e voltei a casa.&lt;br /&gt;Num conto podemos inventar futuros, realidades, possibilidades. Na vida real amaldiçoamos a cobardia, e os momentos que deixamos passar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1227873604243922604?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1227873604243922604/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1227873604243922604' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1227873604243922604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1227873604243922604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/dizem-que-os-olhos-sao-janela-da-alma.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-5519918271928759400</id><published>2009-05-08T08:37:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T08:39:05.272-07:00</updated><title type='text'>Mudança(s)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olhou para o local que tinha sido a sua casa nos últimos 15 anos.&lt;br /&gt;Ali tinha passado toda a sua vida. Crescera, chorara, rira. Conhecia cada canto.&lt;br /&gt;Olhando para a casa vazia pensava na distinção muito anglo-saxónica entre house e home.&lt;br /&gt;Mesmo vazia aquela casa era mais do que uma casa.&lt;br /&gt;Em frente a uma das janelas olha a rua em frente. Vê o Sr. Janeiro a passear o cão, o vizinho Frade a limpar compulsivamente o carro, vê a Dª Catarina sentada à janela, tirando mentalmente notas para a conversa com as outras velhotas, no café.&lt;br /&gt;A sua casa, o seu lar não tinha só paredes, começava na rua, 50 metros acima, e terminava lá em baixo, na praceta. Começava no R/c e terminava no 3º andar. O seu lar começava nas caras que tinham um nome, e mesmo naquelas em que o ignorava.&lt;br /&gt;O seu lar começava na vizinha que lhe abria a caixa do correio, com a chave dela (!), "Hoje tens uma carta!". Continuava na bola que era chutada pelo puto de cima, no som da aranha, a percorrer a casa, da irmã mais nova dele. Continuava nos amigos que lhe tocavam à porta para irem juntos no autocarro para a escola. O seu lar terminava ali.&lt;br /&gt;A sua casa seria outra agora, noutro local, com novas caras, novos limites, novas manias. Demoraria tempo até ser novamente um lar.&lt;br /&gt;Mesmo com os mesmos móveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-5519918271928759400?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/5519918271928759400/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=5519918271928759400' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5519918271928759400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5519918271928759400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2009/05/mudancas.html' title='Mudança(s)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-996194345596344627</id><published>2008-10-29T04:52:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T04:53:59.044-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>Repete-se ad nauseam.&lt;br /&gt;Os alunos bocejam, evitam fechar os olhos. Evitam, em vão. Alguns chegam mesmo a adormecer.&lt;br /&gt;Acordam com o som do corpo do docente a cair, fulminado por um avc.&lt;br /&gt;Muitos não conseguem evitar um sorriso suspirante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-996194345596344627?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/996194345596344627/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=996194345596344627' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/996194345596344627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/996194345596344627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/10/repete-se-ad-nauseam.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-4567801921330251591</id><published>2008-10-29T04:49:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T04:52:20.154-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>Há três dias que tem dificuldades em adormecer.&lt;br /&gt;A Euribor a subir, juntamente com a barriga da esposa, o trabalho de cresce na mesa de trabalho e na caixa de correio electrónico, o curso de especialização que o obrigaram a tirar.&lt;br /&gt;Há três dias que tem dificuldades em adormecer.&lt;br /&gt;Ele que não ressona, atordoou a turma com um ressonar pesado e descansado.&lt;br /&gt;O professor, boquiaberto, acordou-o violentamente.&lt;br /&gt;Há três dias que tem dificuldades em adormecer. Hoje não será diferente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-4567801921330251591?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/4567801921330251591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=4567801921330251591' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4567801921330251591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4567801921330251591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/10/h-trs-dias-que-tem-dificuldades-em.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-3537427764261423685</id><published>2008-10-29T04:48:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T04:49:31.155-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>Chegou morto ao hospital.&lt;br /&gt;O carro capotara, as pernas esmagadas, o corpo lacerado e partido.&lt;br /&gt;Tentou despedir-se da esposa. Pairou até à sua rua, encontrou-a na cama com o vizinho do lado.&lt;br /&gt;Ficou lívido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-3537427764261423685?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/3537427764261423685/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=3537427764261423685' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3537427764261423685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3537427764261423685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/10/chegou-morto-ao-hospital.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-8670781223688374022</id><published>2008-10-29T04:45:00.001-07:00</published><updated>2008-10-29T04:45:47.891-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>A Mão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A caneta escorrega entre os dedos. Tenta mexer a mão, com sucesso. Agarra novamente a caneta.&lt;br /&gt;Esta escorrega-lhe novamente entre os dedos.&lt;br /&gt;A dormência desaparece rapidamente.&lt;br /&gt;Encontra-se entre o temor e a curiosidade.&lt;br /&gt;Agarra a garrafa de água com a mão. A dormência não volta. Com a esquerda desatarracha a tampa e bebe um trago.&lt;br /&gt;Olha para a mão, belisca-a e sente o ardor.&lt;br /&gt;Olha para a caneta e agarra-a com a mão esquerda. Faz uns rabiscos. Nada acontece.&lt;br /&gt;Agarra novamente a caneta com a mão direita. "Automaticamente" a mão adormece.&lt;br /&gt;Olha para a caneta, atira-a para o caixote do lixo. Senta-se ao computador e escreve o texto pretendido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-8670781223688374022?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/8670781223688374022/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=8670781223688374022' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8670781223688374022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8670781223688374022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/10/mo.html' title='A Mão'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-4496561863571897941</id><published>2008-10-29T04:40:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T04:41:05.916-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hesito. A ponta da caneta vai sujando o papel, sem que uma letra ou palavra se distinga.&lt;br /&gt;Tento que seja a caneta a escolher o caminho, que seja ela a pensar.&lt;br /&gt;No entanto, os pontos, rabiscos e traços não ganham personalidade linguística.&lt;br /&gt;Começo a passear mentalmente pelo alfabeto. Com que palavra começarei o texto?&lt;br /&gt;E começarei com um verbo, um artigo ou um adjectivo?&lt;br /&gt;Para quê perder tempo com o tamanho do texto se ainda não lhe descobri o tema? Ou que tipo de texto será?&lt;br /&gt;Deixo a caneta a olhar para o papel, de cima para baixo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-4496561863571897941?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/4496561863571897941/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=4496561863571897941' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4496561863571897941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4496561863571897941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/10/hesito.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1324175540110861080</id><published>2008-07-01T10:21:00.000-07:00</published><updated>2008-07-01T10:24:02.390-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Callema nº 4'/><title type='text'>Chaos AD</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Às vezes penso no que poderia ter acontecido se…&lt;br /&gt;Há tantos ses na nossa vida, pelo menos na minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei uma caixa com cartas do início dos anos 90.&lt;br /&gt;Na altura não havia e-mail, e a carta era sinal de que havia alguém do outro lado, alguém que víamos de tempos a tempos.&lt;br /&gt;Sem carro, sem telemóvel, sem mail, alguém que morasse em Loures ficava demasiado longe. Sinal dos tempos, hoje fica a pouco menos de uma hora de distância . As cartas faziam a vez dos blogs. Falavam do dia-a-dia. Matavam saudades e, consoante a pessoa, mantinham a ilusão de algo mais viva.&lt;br /&gt;Fui lendo cartas, relembrando caras e acontecimentos. Rindo e quase chorando. Há tanta coisa de que nos esquecemos, ler aquelas folhas, ainda não amareladas, renovou algumas células que me ajudaram a lembrar acontecimentos esquecidos.&lt;br /&gt;Parei numa, olhando para o envelope.&lt;br /&gt;Uma das primeira paixonetas. Até que reconheci que, para ser seu amigo, tinha de esquecer os olhares apaixonados, o estar ao lado como uma lapa. Fomos bons amigos durante algum tempo, até ela partir, de novo, com os pais.&lt;br /&gt;Aquela carta foi a última.&lt;br /&gt;Houve duas coisas que me fizeram parar no tempo. A pergunta dela: Ainda gosta da Luísa?&lt;br /&gt;Não, ainda não. Não, nunca gostei. Mas as conversas contigo sobre a Luísa equivaliam a conversas sobre nós, que nunca existiram, que nunca o foram.&lt;br /&gt;Ainda gosta da Luísa? Não, ainda não. Talvez tenha pensado na tua pergunta com mais tempo, quando recebi a carta. Talvez tenha sido essa a razão por nunca te ter respondido. Talvez tenha gostado de outra, e talvez tenhas gostado de outro. Terá sido por isso que as cartas pararam? Deste e desse lado do oceano?&lt;br /&gt;Fiquei ali, entre o que podia ter sido e o que foi, entre a nostalgia de uma paixoneta de 5 tostões, quando vi a última frase. Sepultura 4ever.&lt;br /&gt;O que eu ri. Tu que nem gostavas de música pesada, eu sim!&lt;br /&gt;Tu que acarinhavas os Sepultura como todos os outros artistas do teu país. Tu que sabias que eu gostava deles. Sepultura 4ever.&lt;br /&gt;Fiquei a pensar se estas duas frases, a pergunta e o statement, teriam algo mais a dizer do que aquilo que realmente diziam? Mensagens subliminares, segundas intenções? Nunca fui bom a ler nas entrelinhas, às vezes nem no texto chapado! Terias tu segundas intenções? Talvez não…Claro que não. Não, estando agora no Brasil. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fiquei nostálgico. Ser português é ser nostálgico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa semana li muito. Saí algumas vezes à noite.&lt;br /&gt;E no sábado, mais um encontro com o passado…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava sentado num café. A ler o jornal. Uma voz, desconhecida, soou acima de mim: Paulo?&lt;br /&gt;Levantei os olhos e vi aqueles olhos pretos, aquele sorriso que me fez sonhar tantas vezes.&lt;br /&gt;Verónica! Aqui e agora. Quase dez anos depois.&lt;br /&gt;Estás bom, como vais, o que tens feito, há quanto tempo, ainda o outro dia pensei em ti – aquelas trivialidades que fundamentam uma conversa periclitante.&lt;br /&gt;Retirei o saco com o Chaos AD, e ela sentou-se.&lt;br /&gt;Continuava a rir, muito como sempre.&lt;br /&gt;Lembro-me dela, linda como agora. Ainda que o cabelo preto pudesse ter alguma coisa a ver com isso. Tenho uma tara por cabelos pretos. Como aqueles homens que dizem que as mulheres italianas são sempre bonitas, mesmo quando feias, têm um je ne sais quoi. Assim sou eu com cabelos pretos. Mais do que olhar para a face, para o corpo, é o cabelo que me inebria, que me cativa.&lt;br /&gt;E ali estava ele à minha frente, o cabelo preto de Verónica.&lt;br /&gt;Brinco, claro. Ou quase que brinco. Ela que era tão diferente de mim. Que não lia nada, que só gostava de comédias românticas, para as quais nunca tive paciência. Ela que não percebia piadas indirectas, inteligentes. Ela que era tão burra como as loiras, mas upgraded, com cabelo preto.&lt;br /&gt;Alguém que nunca beijei, alguém que me roubava o pensamento. Via-a por breves momentos, numa festa de um amigo, em casa de alguém e passava semanas a tentar esquecê-la. Mas depois via-a novamente. E continuava a empurrar a pedra até ao alto da montanha. Ela que gostava de estar na minha companhia, gosto que eu retribuía. Ela que povoava os meus sonhos, de dia e de noite.&lt;br /&gt;A quem nunca tive coragem de dizer Amo-te, ou gosto de ti.&lt;br /&gt;E eu que pensava que ela sabia. Quiçá que tivesse o mesmo problema que eu. Que não percebesse indirectas, segundas intenções, que na realidade nunca o foram, sempre primeiras intenções, travadas pela distância e pela timidez. Travadas pelo desconhecimento dos seus sentimentos. E a pedra quase no alto.&lt;br /&gt;Ela, a quem uma vez dei a mão. Num táxi. E a mão dela, frouxa por momentos, e escorregadia pelo resto da viagem. Ela que não me olhou mais nos olhos nessa noite. Ela, saberia mais tarde, que namorava já. E a pedra no sopé da montanha. De uma vez por todas. A quem nunca mais empurraria.&lt;br /&gt;Ela ali, à minha frente. Sorrindo. Uma nova pedra?&lt;br /&gt;E eu a pensar que já estou velho para isto, não para falar com ela, ou vê-la, mas para relembrar o que nunca foi, aquele passado lá longe, quando andava a pé, sem telemóvel, sem pc em casa, com cartas a chegar de dois em dois meses.&lt;br /&gt;Ela, ali. Que se lixe a pedra. E a montanha, já agora.&lt;br /&gt;Ainda gostas dela?&lt;br /&gt;Sepultura 4ever.&lt;br /&gt;Chaos...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1324175540110861080?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1324175540110861080/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1324175540110861080' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1324175540110861080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1324175540110861080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/07/chaos-ad.html' title='Chaos AD'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-5383840022668654191</id><published>2008-05-13T02:11:00.000-07:00</published><updated>2008-05-13T02:12:36.079-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breve Narrativa'/><title type='text'></title><content type='html'>Viu-a de soslaio. Esperou que se virasse. Era baixinha, teria cerca de 60 anos (o que nunca é fácil de avaliar), uma mala com rodas e o cabelo cinzento (que raio de cliché, pensou). Escolheu a faca de caça, bradiu-a no ar uma ou duas vezes.&lt;br /&gt;Avançou impetuosamente e acertou-lhe no braço. Viu sangue, pouco ainda, a jorrar. Sem dar oportunidade a que a velha se virasse, espetou a faca nas costas. Uma, duas, três vezes.&lt;br /&gt;Virou-a, tapou-lhe a boca com a mão e espetou, novamente, a faca, desta vez no estômago.&lt;br /&gt;Feliz com a forma como o tinha feito, bem melhor do que da última vez, olhou para o canto superior do ecrã, 50000 de pontos.&lt;br /&gt;Jooooão, anda comer - ouviu a mãe chamar.&lt;br /&gt;E lá foi ele, esganado de fome, com a vista um pouco cansada, resultado das 4 horas de jogo, naquela manhã.&lt;br /&gt;Deu um beijo à mãe que ainda não vira, e sentou-se à mesa. Olhou para o bife mal passado. Para a faca de serrilha.&lt;br /&gt;Depois para a mãe. E sorriu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-5383840022668654191?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/5383840022668654191/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=5383840022668654191' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5383840022668654191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5383840022668654191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/05/viu-de-soslaio.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-7584085172103354590</id><published>2008-04-17T11:02:00.000-07:00</published><updated>2008-04-17T11:09:12.450-07:00</updated><title type='text'>Breve Narrativa</title><content type='html'>Está guardado. Do vento e da chuva. Sentado na cadeira de rodas, lembra-se de sentir a chuva enquanto ia para a escola. Com saudade, relembra aquela gota, sempre incómoda, que lhe acertava no pescoço, que descia gelidamente, fintando a roupa. Lembra-se da mãe, zangando-se, primeiramente, resignada, depois, pedindo-lhe que levasse o chapéu de chuva. E ele, perguntando qual chapéu de chuva, saía, sorrindo.&lt;br /&gt;Cansou-se de levar chapéu para a escola e de chegar a casa molhado, esquecido o chapéu numa sala de aula ou no autocarro.&lt;br /&gt;Sente saudades de andar, de correr. Mas é de sentir a chuva no corpo que mais sente falta.&lt;br /&gt;Está preso. Do vento e da chuva. Sentado na cadeira de rodas, chora...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-7584085172103354590?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/7584085172103354590/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=7584085172103354590' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/7584085172103354590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/7584085172103354590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2008/04/breve-narrativa.html' title='Breve Narrativa'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-6110343266323924549</id><published>2007-10-03T05:05:00.000-07:00</published><updated>2007-10-03T05:06:08.031-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Espero o café enquanto escrevo num caderno preto.&lt;br /&gt;Tento imaginar tramas e personagens.&lt;br /&gt;O café chega ao mesmo tempo que uma rapariga de cabelos pretos entra. Com uns olhos tristes, vem apropriadamente de preto. Encarna a beleza triste.&lt;br /&gt;Senta-se numa mesa, pede um café e acende um cigarro. O café esfria à medida que o cigarro é compulsivamente fumado. Ela olha pela janela. Para lado nenhum, talvez para dentro de si. E os olhos tristes, negros, teimando em olhar o vazio.&lt;br /&gt;Decido escrever algo aproveitando a triste musa. Enquanto escrevo, e indeciso quanto a um dos atributos, levanto a cabeça para olhar para ela, desvaneceu-se, saiu.&lt;br /&gt;Apropriado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-6110343266323924549?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/6110343266323924549/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=6110343266323924549' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6110343266323924549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6110343266323924549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/10/espero-o-caf-enquanto-escrevo-num.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-6928895077580427735</id><published>2007-10-03T04:59:00.000-07:00</published><updated>2007-10-03T05:05:22.747-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acorda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São seis da manhã, ainda falta meia hora para o despertador tocar, a bexiga antecipou o acordar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levanta-se e vai até à casa de banho ainda com algumas sensações e imagens do sonho que foi interrompido. Faz um esforço para tentar montar o puzzle onírico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ele e a namorada. Visitam alguém, mas depois a namorada desaparece de cena.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Há uma rapariga familiar, lembra-se de um desejo de a rever e falar com ela. Fez-lhe um convite para beber um café, convite que ela aceitou.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Encontram-se numa rua apinhada de cafés, por alguma razão, invisível, não conseguem entrar em nenhum. Chove, e os cafés encontravam-se abertos, todos eles. Correm para o carro (de quem é o carro?). Entram, mas ela vai para a parte de trás, entram três gigantes abrutalhados e preenchem os lugares que faltam.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sorriem, falam, dão-lhe pequenos estalos, sente-se avisado, mas não sabe de que é que o estão a avisar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ela, lá atrás, ri, não é um sorriso, é uma risada.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E foi quando acordou. Gosta de tentar relembrar-se dos sonhos, sabendo que adormecido os sonhos fazem mais sentido do que quando está acordado. Há um universo de leis que são obedecidas quando se está dormindo. Quando se acorda nem tudo faz sentido, ou quase nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe que à noite a maior parte destes pormenores ter-se-ão perdido no seu inconsciente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deita-se novamente, afinal ainda falta meia hora até ao despertador tocar. Sabe que dificilmente adormecerá. Tem o vago desejo de reecontrar os caminhos do sonho, espera uma sequela ou repetição do mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembra-se de em criança ter um sonho recursivo e repetido. O sonho, de que não se lembra claramente, era uma repetição de algo anormal, e que ao mesmo tempo, e se calhar por isso mesmo, lhe metia medo. Lembra-se de com seis ou sete anos acordar lavado em suor, e com medo de voltar a fechar os olhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora que pensa nisso lembra-se de sonhos em que queria correr e não conseguia. Por mais que tentasse o corpo só obedecia em câmara lenta. Ninguém corria atrás dele, ele não fugia de nada ou ninguém, mas a angústia de não andar normalmente, a angústia de esforçar todo o corpo e os músculos para dar um passo normalmente. Lembra-se de acordar extenuado e dorido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levanta-se com o toque do despertador, não adormeceu sequer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sente-se nostálgico, e atribui a culpa ao sonho. Como é possível sentir-se nostálgico por alguém que não reconheceu? Por alguém sonhado? Estará o seu subconsciente a transmitir-lhe alguma mensagem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante todo o dia sente-se incompleto. Se há coisa que o aborrece é não saber dar nome a alguém, ou situar alguém, passa largos minutos a tentar descobrir de que filme conhece aquele actor, de onde conhece aquela pessoa que lhe sorriu e perguntou como ia. Hoje é o sonho que o inquieta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenta fazer um inventário de namoradas, paixões e platonices parecidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vai de autocarro a pensar nelas. Janta com a namorada e dá-lhe menos atenção que habitualmente. Ela pergunta-lhe o que se passa. Responde que nada e permanece ali, entre a realidade e o onírico, tentando fazer uma relação que o satisfaça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chega a casa e deita-se, esperando que a cama o ajude a relembrar-se de alguma coisa. Tenta fazer o exercício contrário, em vez de se lembrar das namoradas tenta relembrar-se da rapariga do sonho. Nada. Lembra-se que os olhos o marcaram, mas acha que era mais porque lhe abriam alguma porta para a memória. Volta à lista mental, nenhuma delas tem olhos que o tenham marcado especialmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhos….olhos…olh…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adormece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acorda sem se lembrar de alguma experiência no império de Morfeu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Age segundo o seu ritual. Lava-se, veste-se e mete-se no carro até ao comboio. Leva um livro que não consegue ler, a rapariga sem rosto assalta-lhe constantemente a memória.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O trabalho, naquele dia, não rende. Os colegas acham-no mais distante, menos brincalhão e concentrado do que habitualmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A namorada telefona-lhe à hora de almoço a perguntar como está, que não lhe telefonou de manhã. Sente preocupação na sua voz. Diz que está cheio de trabalho, desculpa-se com isso para a despachar e dizer-lhe que só a verá no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esqueceu-se da namorada nestes últimos dois dias, se não tivesse jantado com ela nenhum pensamento teria tido em que ela aparecesse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Anda obcecado com a rapariga irreal. Como é que um sonho pode alterar a vida exterior e interior de alguém?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passou-se uma semana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta semana comeu pouco, quase nada; discutiu fortemente com a namorada a meio da semana. Às 22h ela telefonou-lhe para saber como estava, já tinha adormecido e começara a sonhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acha que estava a sonhar com a rapariga do sonho quando o toque polifónico com a música I Want you to Want me o acordou, gritou com a namorada, não lhe deu possibilidade sequer de se desculpar, ainda que não existisse razão para isso. Não voltou a sonhar, nem a falar com ela. Cada vez que o telemóvel toca ele desliga-o.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O telefone, em casa, está desligado da ficha, e o telemóvel já quase que não é ligado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem, alguns amigos estavam à porta de casa com a namorada, mal-humorado espantou-os com fel. Contou algumas verdades desconhecidas de alguns, não se importa que tenha aberto brechas no grupo, espantou-os com a sua (até aí desconhecida) hostilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vive para alguém que não conhece, que não tem existência. Não pensa na estranheza disto tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adormece e encontra o objecto da sua obsessão num sonho. Finalmente, ela sorri-lhe e rapidamente o sorriso torna-se num esgar de maldade. O corpo treme-lhe, qual corpo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenta fugir, mas não consegue. Ela aproxima-se dele, que tenta fugir, mas o mais que pode é fazê-lo em câmara lenta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encontram-no dois dias depois, deitado, de barriga para baixo, num coma profundo, com um ar de tristeza absoluto. Não reage a nada. De vez em quando grita, por breves segundos, mas um grito que assusta quem o ouve, um grito que relembrarão toda a vida, curta ou longa que seja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais valia estar morto, mas não está, está adormecido, na presença da sua obsessão por uma breve eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Pós-Título: Os Três Gigantes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no nº2 da Callema&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-6928895077580427735?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/6928895077580427735/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=6928895077580427735' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6928895077580427735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6928895077580427735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/10/acorda.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-5108697588017236280</id><published>2007-05-18T05:51:00.000-07:00</published><updated>2007-05-18T05:52:44.208-07:00</updated><title type='text'>Mais uma Breve Narrativa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dez da noite, e faz ainda um calor sufocante. O chão transpira o calor retido durante o dia.&lt;br /&gt;Tenta seguir a custo. As ruas estão prenhas de gente. Comemora-se a festa anual do Santo da cidade. Haverá um número ínfimo de fiéis assíduos no salão frio da igreja.&lt;br /&gt;Mas, pelo menos uma vez por ano, o Santo é pretexto para comes e bebes, concertos, venda de artesanato e algum desvario sexual.&lt;br /&gt;Coloca-se na fila das farturas.&lt;br /&gt;Enquanto espera, lembra-se dos fins de semana da infância, no Alentejo fronteiriço na aldeia onde nasceram os avós. Uma aldeia pequena, com pouco mais de mil habitantes e que tem a proeza de no largo ter dez tabernas, só no largo, outras há espalhadas e todas conseguem dar o pão nosso de cada dia aos seus proprietários!&lt;br /&gt;Lembra-se de uma manhã chuvosa e fria. Levantara-se por volta das nove horas e a avó dera-lhe quinhentos escudos para comprar farturas. Trouxe um saco cheio, hoje a unidade custa um euro!&lt;br /&gt;Nunca as farturas lhe souberam tão bem, juntamente com uma caneca de café. Naquela aldeia, perdida entre Espanha e o Guadiana e o resto de Portugal.&lt;br /&gt;Na altura o Alentejo era uma maçada. Demasiado frio no Inverno, angustiantemente quente no verão, e com o Pai, de verão e inverno, a lançar a âncora naquela aldeia.&lt;br /&gt;Hoje é da cidade que está farto, farto dos carros na estrada e em cima dos passeios, fartos das pessoas que não sabem sorrir e que só querem saber da vida dos outros para a quadrilhice, da ausência de espaços verdes e da incoerência humana que nos tempos de lazer preenche os centros comerciais. Quer faça frio, quer faça calor.&lt;br /&gt;Aos cinquenta e cinco anos apetece-lhe fugir para o Alentejo. A pré-reforma, ainda que curta, dar-lhe.á o suficiente para ele, e um quintal e uma pequena horta dar-lhe-ão mais alguma folga à carteira.&lt;br /&gt;Um ano depois, numa noite mais quente que esta, numa festa associada a outro Santo, pensará na vida que levava na cidade, ao comprar uma fartura, numa aldeia alentejana.&lt;br /&gt;"Uma fartura e meia dúzia de churros, se fizer favor."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-5108697588017236280?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/5108697588017236280/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=5108697588017236280' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5108697588017236280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5108697588017236280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/05/mais-uma-breve-narrativa.html' title='Mais uma Breve Narrativa'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-544433779346833714</id><published>2007-04-24T04:14:00.000-07:00</published><updated>2007-04-24T03:31:42.684-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboços de qualquer coisa'/><title type='text'></title><content type='html'>O tempo dispersa-nos. A frase, não passa disso mesmo, é uma observação, mas não uma regra.&lt;br /&gt;Vinte anos passados vejo como o tempo se uniu para nos juntar. Fez-nos bons amigos, rimos e chorámos, apoiámo-nos e fomos o ombro do outro. Andámos na mesma estrada, mas ao contrário de outros optámos por fazê-lo juntos.&lt;br /&gt;Até que hoje o tempo começou a dispersar-nos.&lt;br /&gt;Definitivamente. E a contra gosto!&lt;br /&gt;Olhando para trás é difícil ver as coisas correctamente. A perspectiva não é a melhor, hoje pelo menos. Os acontecimentos flúem até mim sem qualquer ordem, não é um flashback ordenado, assim de repente nem sei ordenar tudo o que aconteceu.&lt;br /&gt;Talvez por isso prefiro começar pelo fim ou pelo seu começo. Reunimo-nos todos em minha casa, esta era a minha vez. Foram aparecendo consentaneamente com a hora do fim do expediente. Primeiro a Leonor, depois o Carlos e a Vanda, aparecendo no fim e num acordo surdo o Rui e Mónica.&lt;br /&gt;Pelo menos duas vezes por mês juntamo-nos a uma Sexta-Feira em casa de alguém, para falarmos, comermos, discutirmos, para nos vermos simplesmente! Para vermos um filme ou discutirmos a politiquice nacional!&lt;br /&gt;Não consigo pensar no tema de conversa, estou demasiado cansado. Mas foi a última vez que estivemos todos juntos. Hoje pela manhã descobri que a Mónica tinha morrido, num acidente de carro. Não fez uma curva e caiu duma altura significativa, tendo perdido instantaneamente a vida ou pelo menos é o que dizem. Passámos o dia atarantados, não sabendo como agir ou mesmo reagir. Fomos todos apanhados de surpresa, ainda ontem estava connosco, a rir, a falar, conversar. Ao menos estivemos com ela, o Alberto, o marido estava em trabalho numa Feira de Editores Internacional. Falei com ele durante a tarde, vinha a caminho, estava à espera do avião e estava demasiado abatido para dizer muita coisa com nexo. Falarei com ele amanhã. Também eu estou cansado, vou dormir e pegar neste proto-diário de manhã.&lt;br /&gt;Afinal o sol ainda não nasceu. Eu sem sono, perdi uma das minhas melhores amigas, tragicamente. Comecei este diário como uma forma de encadear ideias e de manter alguma calma, quando escrevo o nervosismo desaparece um pouco, escrever nas teclas, pensar e encadear uma linha de raciocínio acalma-me, alivia-me.&lt;br /&gt;Conhecemo-nos na Faculdade. Não foi amor à primeira vista, fomo-nos conhecendo e criando os laços que ainda hoje nos prendem. Estamos unidos pelo tempo, pela amizade, pela cumplicidade, pela preocupação, pela experiência. Já passamos por tanta coisa juntos, que…&lt;br /&gt;Somos uma família, penso que é isso que somos. Vivemos as nossas vidas, temos os nossos problemas, discutimos mas a amizade mantém-se.&lt;br /&gt;Todos entrámos para uma Faculdade de Letras, com sonhos e desejos um pouco ainda enevoados. 20 anos depois um de nós trabalha na área, sendo professor. Os outros pairaram por ali durante algum tempo, mas depressa encontraram outros interesses.&lt;br /&gt;A Mónica era designer, amadora mas boa naquilo que fazia. Claro que ter um marido editor sempre ajuda, mas nem era este o caso. Ela fazia a direcção artística de uma editora que não a do marido. Quantas vezes brincámos com ela dizendo que o seu sucesso ainda seria o fim da carreira dele? Sempre na brincadeira porque cada um deles é (era no caso dela, alguma vez me habituarei a falar dela no passado?) bom na sua área de trabalho.Na 6ª feira falava de como poderia ter ido com o marido, mas estava a terminar um trabalho com alguma urgência e de qualquer modo não lhe apetecia ir a “coisas daquelas, ainda por cima eu trabalho para a concorrência”, se ela soubesse! Uma estúpida Feira em troca da sua vida! Que raio de desfaçatez, a do destino!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-544433779346833714?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/544433779346833714/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=544433779346833714' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/544433779346833714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/544433779346833714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/o-tempo-dispersa-nos.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-3650007194499938964</id><published>2007-04-24T03:52:00.000-07:00</published><updated>2007-04-24T03:25:39.259-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O silêncio conforta-me, e afronta-me.&lt;br /&gt;O silêncio transforma o que sinto, leva-me a outros estados de espírito. Sinto que prefiro o barulho, o ruído ao silêncio, pelo menos na maior parte das vezes. Estar em silêncio não é natural, embora aspirar pelo silêncio seja um graal apetecido.&lt;br /&gt;É no silêncio que me vejo só, e mesmo sendo como sou prefiro estar acompanhado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-3650007194499938964?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/3650007194499938964/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=3650007194499938964' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3650007194499938964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3650007194499938964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/o-silncio-conforta-me-e-afronta-me.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1594513634635511782</id><published>2007-04-23T10:00:00.000-07:00</published><updated>2007-04-23T03:00:25.643-07:00</updated><title type='text'>O cão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Criou celeuma a nível regional, mas também o faria a nível nacional se se tivesse proporcionado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cachorro era ainda novito, pouco mais de um mês de vida. Era escanzelado, estava sujo e tinha levado uma panada de um carro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andava por ali, em três pernas, quando uma senhora o viu.Começou a pensar em voz alta, como é hábito de muitas das senhoras de idade. Uma a uma várias pessoas se (a)chegaram a ela e foi-se formando uma turba indignada com o estado do animal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chamaram-se jornais e rádios, a televisão também foi avisada, mas somente o jornal regional se dignou a aparecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em frente, sem direito a opinião ou a uma análise, por parte da turba, estava o seu dono. Junto à barraca, triste e choroso pelo estado do seu amigo, fraco pela fome e aturdido pelo frio olhava sem esperança para o cachorro. Tinha cinco anitos, vivia durante o dia na terra, no pó de um baldio, com a avó como companhia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dele ninguém falou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém o viu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1594513634635511782?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1594513634635511782/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1594513634635511782' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1594513634635511782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1594513634635511782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/o-co.html' title='O cão'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-6792546507540116483</id><published>2007-04-23T04:38:00.000-07:00</published><updated>2007-04-23T03:00:58.514-07:00</updated><title type='text'>Gostava de ter escrito isto</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;"The past is a foreign country: they do things differently there"&lt;br /&gt;L. P. Hartley&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-6792546507540116483?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/6792546507540116483/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=6792546507540116483' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6792546507540116483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6792546507540116483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/gostava-de-ter-escrito-isto.html' title='Gostava de ter escrito isto'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-8279978164140272787</id><published>2007-04-17T02:46:00.000-07:00</published><updated>2007-04-17T02:46:16.056-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'></title><content type='html'>Talvez tenha encontrado a resposta para ter o corpo que tenho.&lt;br /&gt;Lembro-me da euforia dos intervalos. Nestes jogávamos à bola, corríamos, brincávamos. Jogávamos à apanhada, e mais mil e uma coisas no pequeno espaço de tempo livre para o fazer.&lt;br /&gt;Ia almoçar a casa, e depois levava um lanche para a escola. Quantas vezes o comia antes de entrar para a sala de aula?Lembro-me de algumas mães a perguntar-me, penso que entre a preocupação e a coscuvilhice, “Tiago, não almoçaste?”. E a resposta sempre a mesma, na ponta da língua. “Sim, mas se não comer agora, logo vou perder tempo no intervalo” .&lt;br /&gt;O mais importante era ter o intervalo livre, e ao mesmo tempo comer.&lt;br /&gt;Poderá ser uma das respostas:p&lt;br /&gt;Míudos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-8279978164140272787?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/8279978164140272787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=8279978164140272787' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8279978164140272787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8279978164140272787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/talvez-tenha-encontrado-resposta-para.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-4756311668771864797</id><published>2007-04-11T05:25:00.000-07:00</published><updated>2007-04-11T02:02:17.200-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>METRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acorda, mais uma vez, depois da hora. Já sabe que vai chegar atrasado à aula. Os colegas estranhariam o contrário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vários minutos depois entra no metro, que está mais atafulhado do que ele gostaria. Descobre e senta-se num banco milagrosamente vagado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olha para além do vidro, olhando para as pessoas na outra linha. Volta a olhar em frente, e vê a mulher que está sentada à sua frente. Pelas suas contas terá pouco mais de trinta anos. Morena, extremamente bonita, mas com um ar demasiado triste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele olha novamente para ela e pensa no quão bonita ela é. Baixa o olhar para a mão e vê uma aliança, pensa em como há homens com sorte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Novamente pouco dormiu. Com 34 anos a vida é, cada vez mais, um inferno. O casamento de sonhos há muito que se desvaneceu e em pouco tempo o Príncipe Encantado transformou-se num sapo rude e violento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez bateu-lhe, gritou-lhe e tudo sem ela saber muito bem porquê. Hoje já acha que não é necessário dar uma explicação, ele não é propriamente muito racional na maior parte das vezes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje dá graças a Deus por não terem tido filhos. Ele não os merece, e as crianças não mereciam viver assim. Está cansada, talvez a culpa seja sua. Enquanto se dirigia para o metro foi-se formando no seu interior o firme desejo de terminar com a sua vida. O fim é melhor do que a continuação deste calvário, pensa desesperadamente. As forças parecem faltar-lhe, está farta e cansada e o fim parece ser a única saída definitiva. Quando entra no metro a decisão está tomada, falta decidir quando.Enebriada nestes pensamentos sombrios, não sente que alguém se senta em frente dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um pouco depois os seus olhares chocam, ele olha para ela com algum interesse, simpatia em, será que, com desejo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olha-o nos olhos e sorri. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que parolo, diz ele para si mesmo. Sente-se envergonhado, sem saber muito bem porquê. Por a mulher lhe ter sorrido? Por lhe ter olhado nos olhos quando ele olhava para ela?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que se sentiu envergonhado, sentiu a cor invadir-lhe a rosto.Olhava para ela, pensando como ela era bonita, como tinha uma cara perfeita e nos seus olhos tristes, imensamente tristes. Como é que alguém tão belo pode ter uma tristeza tão palpável?Não namora há uns meses, namorou duas vezes por muito pouco tempo. Sabe que a culpa dos naufrágios emocionais é dele. Continua a procurar um amor utópico e idílico, uma coisa cinematográfica sem demasiados contrapontos. Criou mentalmente um tipo de relação que não existe, uma mínima discussão é razão para virar as costas. Não sabe ainda como lutar pelo amor, acredita que este vem em pacote pronto a vir servido. Sente-se traído pela sua própria forma de ser, mas tenta desculpar-se com as raparigas que até agora conheceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volta a olhar para ela, sente que ela não olha para ele de propósito. Devo estar ainda vermelho o suficiente para me poupar...Sorri!&lt;br /&gt;Ela olha-o novamente nos olhos. Sorri por ver que ele a continua a olhar. Desta vez contém a vergonha e suporta o seu olhar. Sente-o perscrutá-la e avaliá-la de algum modo. Sente o olhar como um elogio, há muito tempo que não sentia ninguém olhar para si com desejo, interesse. Sente alguma alegria pelo facto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esqueceu-se, por completo, dos pensamentos sombrios que a atacavam à poucos minutos atrás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou melhor, trocou-os por outros. Como uma viagem de metro pode mudar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levanta-se, inclina-se para o rapaz, que desvia automaticamente o olhar e beija-o na face.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volta para casa, faz as malas e, mais tarde, irá estar de volta a casa dos pais. Sabe que os vai preocupar, mas sabe que não lhe vão virar costas. É tempo de recuperar a alegria e a dignidade. Sabe que voltará a ser feliz e deve-o a um estranho. A vida é, ela própria, estranha.Nunca saberá o nome dele, mas estar-lhe-á eternamente grata.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recebeu o beijo com surpresa, estupefacção mesmo. Ficou estupidamente alegre, como quem encontra um tesouro perdido sem estar à espera. Dizer que aquele beijo mudou a sua vida seria um exagero e em certa medida uma mentira. Mas que mudou a sua forma de olhar para o amor e para as mulheres, isso é verdade. Mas não tentemos dar demasiadas razões ou explicações para tal caso, cada homem é um homem e o coração funciona de modos tão diferentes que ficaríamos aqui o resto da vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-4756311668771864797?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/4756311668771864797/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=4756311668771864797' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4756311668771864797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4756311668771864797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/metro.html' title='METRO'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-8230187751391637209</id><published>2007-04-10T06:06:00.000-07:00</published><updated>2007-04-10T06:06:33.263-07:00</updated><title type='text'>Uma poesia para vós</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Como Ulisses te busco e desespero&lt;br /&gt;Como Ulisses confio e desconfio&lt;br /&gt;e como para o mar se vai um rio&lt;br /&gt;para ti vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não me canta Homero.&lt;br /&gt;Mas como Ulisses passo mil perigos&lt;br /&gt;escuto a sereia e a custo me sustenho&lt;br /&gt;e embora tenha tudo nada tenho&lt;br /&gt;que em te não tendo tudo são castigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Alegre&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-8230187751391637209?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/8230187751391637209/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=8230187751391637209' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8230187751391637209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8230187751391637209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/uma-poesia-para-vs.html' title='Uma poesia para vós'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-4805817195122989935</id><published>2007-04-09T05:17:00.000-07:00</published><updated>2008-04-17T11:26:07.927-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Na solidão&lt;br /&gt;chora-se &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;mais &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;livremente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-4805817195122989935?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/4805817195122989935/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=4805817195122989935' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4805817195122989935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/4805817195122989935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/na-solido-chora-se-mais-livremente.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-8458765819435659091</id><published>2007-04-09T01:27:00.000-07:00</published><updated>2007-04-09T01:27:42.569-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sentado,&lt;br /&gt;escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num velho caderno que me foi oferecido&lt;br /&gt;há imenso tempo,&lt;br /&gt;para que me lembre por quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-o no meio daquelas coisas&lt;br /&gt;esquecidas e perdidas&lt;br /&gt;que temos em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei-o ideal para a história que tenho em mente.&lt;br /&gt;E vou escrevendo.&lt;br /&gt;Até que me apercebo que as folhas acabaram,&lt;br /&gt;e o mesmo não acontece com a história.&lt;br /&gt;E não tem sentido,&lt;br /&gt;não tem sentido,&lt;br /&gt;terminar a estória noutro caderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta narrativa pertence a este caderno.&lt;br /&gt;Triste pelo fim abrupto,&lt;br /&gt;caminho&lt;br /&gt;até ao pontão.&lt;br /&gt;Olho para o caderno,&lt;br /&gt;numa tentativa muda&lt;br /&gt;esperando que ele me diga se quer ir inteiro ou separado&lt;br /&gt;de encontro ao frio molhado das águas.&lt;br /&gt;Viro as costas, depois de lançar o caderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo,&lt;br /&gt;sentado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-8458765819435659091?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/8458765819435659091/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=8458765819435659091' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8458765819435659091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8458765819435659091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/sentado-escrevo.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-275900792966428038</id><published>2007-04-03T05:23:00.000-07:00</published><updated>2007-04-03T02:44:36.824-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>Tirei uma mão cheia de amêndoas, daquelas caramelizadas.&lt;br /&gt;Relembrei o meu pai, Deus o tenha, “10 segundos na boca, dez anos nas ancas…”. Tirei mais umas quantas. Sorri, um sorriso triste, é sempre triste quando me lembro dele. Morto há um ano, num estúpido acidente de viação. Não são todos os acidentes estúpidos?&lt;br /&gt;Olho para o meu filho, que aos três anos não sente muito a falta do avô, já o esqueceu. Eu relembro-o várias vezes. A alegria com que vivia, um sorriso sempre pronto a desfazer a cara mais triste. Uma saúde de ferro. E de que valeu isso perante o camião com o pneu furado que foi de encontro a ele?&lt;br /&gt;Lembro-me de ser pequena e ir a uma igreja com os meus pais. Das poucas vezes que fui a uma igreja. Talvez a primeira vez, num frio e molhado mês de Abril, numa igreja pequena, no Baixo Alentejo. Ali, ouvi a história da Páscoa. Como um homem, que também era Deus, tinha morrido numa cruz. Por todos nós. E o meu pai desfeito, o caixão ficou fechado, nada do que lá estava dentro nos poderia lembrar dele. Um pedaço de carne desfeito, ou pedaços a acreditar no meu marido. A cruz deu lugar a um monte de metal contorcido.O ano passado lembrei-me daquela igreja, do significado, original, da Páscoa. E o meu pai morto.&lt;br /&gt;“Mãe, dá-me um chocolate, um ovo desses. Dás-me?”&lt;br /&gt;Agarro num ovo de chocolate, da marca que o meu pai me comprava, desembrulho-o e dou-o ao meu filho. Tento sorrir. Louro como o pai, irrequieto como a mãe. Guloso como os dois.&lt;br /&gt;“Vamos?” –pergunta o meu marido. Depois de encher o carro com as três malas. Tanta mala para três dias.Pego em mais algumas amêndoas, coloco duas na boca e sorrio. Chamo o António, visto-lhe o casaco. Vamos passar o fim de semana a casa da minha mãe. Será que ainda conseguirei sorrir na presença dela?&lt;br /&gt;E assim entro no carro, a mastigar as duas últimas amêndoas, e o António lambuzado, a comer o ovo da Páscoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pós-Título: Páscoa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-275900792966428038?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/275900792966428038/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=275900792966428038' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/275900792966428038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/275900792966428038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/tirei-uma-mo-cheia-de-amndoas-daquelas.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1143240588797006762</id><published>2007-04-03T03:37:00.000-07:00</published><updated>2007-04-03T02:43:00.503-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboços de qualquer coisa'/><title type='text'>Fantasia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dia nasceu mais frio do que normal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pela primeira vez em anos, um manto branco cobria a terra. As crianças acordaram num misto de surpresa, medo e curiosidade. Os mais velhos perscrutaram os céus. Reuniram-se em volta do ancião, descansaram com as suas palavras, e tentaram voltar ao seu dia a dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No meio da aldeia a cabana do velho homem não denotava qualquer tipo de ansiedade. Tudo corria numa calma normalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentou-se cansado na sua cadeira e pediu à mulher que reunisse as crianças da aldeia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns minutos passaram, até que a sala que servia de cozinha albergasse uma dúzia de crianças. De olhos abertos e ansiosas esperavam pela razão da visita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devagar, quase ausente o velho olhava para elas, sorriu momentaneamente, até que suavemente pediu à mulher que lhes fizesse uma bebida quente à base dumas ervas.Olhando para aquelas crianças pensou nos pais delas, em como os tinha visto crescer, enamorar-se uns pelos outros e como estes pequenos rebentos tinham germinado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Sabem a razão pela qual estão aqui?”, perguntou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um mais afoito respondeu que não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Quero contar-vos uma história. Nada mais que isso.”Viu nos seus olhos a importância do acontecimento. Entre eles o relato das coisas transmitia a vivacidade da vida, a tragédia, os diferentes elos que nos uniam uns aos outros. Mas claro que tudo isto era somente uma parte da questão, os elos também nos prendiam, oprimiam, e levavam-nos a fazer coisas que não queríamos. Pelo menos era isto que ele gostava de pensar, era uma desculpa e ao mesmo tempo uma força para continuar a viver. Era um peso que lhe saía de cima. Aceitou agradecido o copo quente que a mulher que o servia há tanto tempo lhe estendia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bebeu um pouco, juntou as recordações e começou a história. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1143240588797006762?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1143240588797006762/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1143240588797006762' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1143240588797006762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1143240588797006762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/fantasia.html' title='Fantasia'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-449301605502123414</id><published>2007-04-02T03:33:00.000-07:00</published><updated>2007-04-02T04:51:01.376-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;"If songs were lines in a conversation the situation would be fine" - Nick Drake&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-449301605502123414?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/449301605502123414/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=449301605502123414' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/449301605502123414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/449301605502123414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/04/if-songs-were-lines-in-conversation.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-8401186562924151279</id><published>2007-04-02T03:32:00.000-07:00</published><updated>2007-04-02T04:49:50.777-07:00</updated><title type='text'>Tentativas pseudo-poéticas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Fundo preto. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Balão vazio. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Oco. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Seco. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Morto. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Devaneios pouco claros &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;que infelizmente&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;não levam a lado &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ALGUM ! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-8401186562924151279?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/8401186562924151279/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=8401186562924151279' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8401186562924151279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/8401186562924151279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/02/tentativas-pseudo-poticas.html' title='Tentativas pseudo-poéticas'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-3223971722002737742</id><published>2007-03-31T05:22:00.001-07:00</published><updated>2007-04-26T06:56:11.717-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Confesso que nunca percebi, ainda tenho dificuldades, em perceber as mulheres, juntando a isto o timing a minha vida amorosa fica contada, pelo menos parte dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca entendi o disse que não disse e o não disse que disse próprio das mulheres. Nunca percebi no sorriso, no riso, no olhar algo mais do que aquilo mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela era a minha melhor amiga, morávamos distantes um do outro, mas as cartas mitigavam qualquer distância. Víamo-nos de vez em quando, ríamos, conversávamos, ela buscava a minha presença e eu a dela. Nunca pensei nela de outra maneira que não como amiga, não porque não gostasse dela, mas porque me via inferior, inadequado, ela era inacessível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia alguém me disse que ela gostava de mim, e eu que não, como era possível? De mim?Passaram-se meses, as cartas continuavam a fluir, e os meus pensamentos caminhavam de vez em quando para aquela conversa. “Ela gosta de ti.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Convidei-a para ir ao cinema. Falámos um pouco, comprámos água e pipocas. Depois de acabadas as pipocas procurei a sua mão no escuro e coloquei-a na minha, apertando- -a.Passámos assim os últimos 30 minutos de filme, de mão dada, mas a mão dela estava frouxa, senti-lhe um misto de sentimentos, por um lado não respondia como eu esperava, por outro não a tirou bruscamente. Manteve-se ali, de encontro à minha numa frieza constrangedora, mas ao mesmo tempo como prova de uma amizade enorme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levei-a a casa, falámos um pouco mais e deixei-a imerso nos meus próprios pensamentos, sem termos tocado no que tinha acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa semana descobri que namorava há dois meses, pensei na minha mão na dela, e na forma como ela, humanamente e com amizade, me deu a sua resposta, sem articular uma única palavra.Chamei-me de estúpido umas quantas vezes, teria perdido o amor da minha vida?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vi-a com alguém que não conhecia, com alguém que invejava por uma questão de timing e de incompreensão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que é possível que ela nunca tenha gostado de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-3223971722002737742?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/3223971722002737742/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=3223971722002737742' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3223971722002737742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3223971722002737742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/confesso-que-nunca-percebi-ainda-tenho.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1453283532833712431</id><published>2007-03-31T05:13:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T09:37:37.651-07:00</updated><title type='text'>Desejo...</title><content type='html'>...olhar os olhares,penetrar no espelho da alma&lt;br /&gt;tentando ignorar a teia das palavras.&lt;br /&gt;Parece fácil no papel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1453283532833712431?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1453283532833712431/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1453283532833712431' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1453283532833712431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1453283532833712431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/desejo.html' title='Desejo...'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-6870350731279778532</id><published>2007-03-31T03:29:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:31:06.623-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>Memórias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olho para trás e sorrio. Apesar do quarto de século, acredito que já vivi algumas coisas engraçadas. Pelo menos para mim… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que nos esquecemos, facilmente, do que experienciamos diariamente. E isso é o que nos faz ser nós mesmos. Somos resultado de tudo. Da rua em que vivemos, dos amigos que temos e tivemos, das experiências por que passámos, pelas viagens que fizemos, pelo que vimos, etc. Acho que já perceberam o ponto. Como humanos gostaríamos de voltar atrás e poder mudar algumas coisas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era bom, mas ainda bem que não podemos. Desse modo podemos (e devemos) aprender com os erros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olho para trás… Ter pais alentejanos permitiu-me uma enormidade de experiências (uso enormidade, pelo que vou dizer a seguir e comparando com essa realidade) em relação ao que vejo hoje em dia. Tive oportunidade de conhecer a vida “citadina” (à falta de palavra melhor) e a rural. Tive oportunidade de ir ao teatro e ao cinema, mas também andei de burro, de carroça, fui buscar água à fonte, alimentei bezerros, assisti a vacalhadas, fui à pesca e à caça, apanhei lagostins, sei lá mais o quê. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E para o bem e para o mal, isso fez de mim o que sou hoje. Os verões eram passados aqui pela praia, por Montargil e por Montejuntos, perto do Redondo/São Pedro do Corval. A barragem, as hortas, as caminhadas (se calhar era por isso que não era tão redondo) pelos montes e planícies alentejanas, Montargil (um dos meus locais favoritos), Ponte de Sôr (outro) são imagens que habitam cá dentro. E por vezes sinto falta de andar por ali, não só em memória, mas também literalmente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi em Montargil que comecei a namorar com a minha trolhinha (em 2006), foi em Montargil que conheci muitos dos meus verdadeiros amigos, no ABS durante os verões. É de bom tom o português ser saudosista. Está na herança genética. Mas pode ser bom, viver e reviver as experiências passadas. É este o meu desejo e a minha vontade, em próximos posts. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-6870350731279778532?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/6870350731279778532/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=6870350731279778532' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6870350731279778532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/6870350731279778532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/memrias.html' title='Memórias'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-1221704932951764223</id><published>2007-03-31T03:27:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:33:30.857-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gostava de ter escrito isto'/><title type='text'>Gostava de ter escrito isto I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Ega, em summa, concordava. Do que elle principalmente se convencera, n´esses estreitos annos de vida, era da inutilidade de todo o esforço. (...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Se me dissessem que alli em baixo estava uma fortuna como a dos Rothschilds ou a corôa imperial de D. Carlos V, à minha espera, para serem minhas se eu para lá corresse, eu não apressava o passo...Não! Não sahia d´este passinho lento, prudente, correcto, seguro que é o único que se deve ter na vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nem eu! - acudiu Carlos com uma convicção decisiva. (...) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oh, diabo!... E eu que disse ao Villaça e aos rapazes para estarem no Braganza pontualmente&lt;br /&gt;às seis! Não apparecer por ahi uma tipoia!... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Espera! - exclamou Ega. Lá vem um "americano", ainda o apanhamos. - Ainda o apanhamos! Os dois amigos lançaram o passo, largamente. (...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-(...) Com effeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ancia para cousa alguma... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ega, ao lado, ajuntava, offegante, atirando as pernas magras: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder... A lanterna vermelha do "americano", ao longe, no escuro, parára. E foi em Carlos e em João da Ega uma esperança, outro esforço: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ainda o apanhamos! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ainda o apanhamos!" &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-1221704932951764223?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/1221704932951764223/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=1221704932951764223' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1221704932951764223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/1221704932951764223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/gostava-de-ter-escrito-isto-i.html' title='Gostava de ter escrito isto I'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-5217397337742438177</id><published>2007-03-31T03:23:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:33:15.441-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esboços de qualquer coisa'/><title type='text'>Tentativas I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;6ª Feira 21h00 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A porta fechou-se. Barulhos de passos ecoaram pelas escadas até que percorreram calmamente o espaço do prédio até ao carro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com calma aparente o carro foi ligado e posto em andamento. Cerca de um quarto de hora depois a polícia chegava ao local. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;6ª Feira 22h15 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;José arruma o carro a cerca de meio quarteirão de casa. Anda um pouco e é reconhecido por um vizinho. Dois polícias correm para ele e dão-lhe ordem de prisão. Não reage, nem mostra qualquer sinal de surpresa. Apático é conduzido para o carro da polícia e depois para uma pequena cela onde passa a noite. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2ª Feira &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordo pelas seis da manhã. Deixo-me estar um pouco mais. Estico o braço e sinto o vazio. Quando será que me acostumarei à sua ausência? Ser polícia não é fácil, mas é o meu emprego e o que eu gosto de fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De qualquer maneira ser polícia em Portugal é muito mais seguro do que nos EUA. No entanto a mulher do polícia sofre sempre, seja num país pequeno e calmo seja numa metrópole violenta. Mas quem sou eu para inventar desculpas para o comportamento dela ou para o meu? Não soubemos viver a nossa vida a dois, fosse pelos ciúmes mútuos, fosse pelo medo de um ou o zelo do outro. Amámo-nos, tememos o nosso amor e começámos a criar muros, dúvidas e fossos. Deixámos de ser dois num e passámos a ser um em dois. Éramos um para os outros e um para o outro. Estranhámo-nos. Levanto-me. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O corpo dói-me todo depois de estar deitado quase 36horas seguidas. Passei o Domingo na cama, pelo simples facto de não me apetecer levantar para nada. As únicas pessoas que me apeteciam ver eram aquelas que não necessitam da nossa resposta, as da televisão. Levantei-me para mictar e beber um copo de leite. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como vivemos hoje em dia em prole dos outros. Senão fosse por eles não me levantava da cama. Ponho água a ferver para o café. Vou à casa de banho e desfaço a barba. A Luísa gostava de me ver de bigode. Dizia que a fazia lembrar um actor qualquer. Desde que a Luísa se foi que deixei crescer um pouco mais em baixo, de modo que agora tenho pêra completa. Gosto mais assim. O telefone toca. Que toque! Nada se interpõe entre mim e a minha higiene pessoal. Não saio da casa de banho antes de estar completamente lavado. Já vestido vou para a cozinha e faço o meu café. Forte e simples, sem açúcar. O telefone toca outra vez. Levanto-me contragosto e atendo. Querem-me na esquadra imediatamente. Tem a ver com um suposto caso de violência doméstica na 6ª Feira. Para que raio precisarão de mim? Tudo me lembra dela. Nunca lhe fui infiel, vistas bem as coisas nunca lhe fui fiel também. Nunca olhei para outra mulher senão ela. Mas ela sabe tão bem como eu que nunca ocupou o primeiro lugar na minha vida. Eu e a minha profissão est &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-5217397337742438177?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/5217397337742438177/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=5217397337742438177' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5217397337742438177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/5217397337742438177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/tentativas-i.html' title='Tentativas I'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-3918469572246270112</id><published>2007-03-31T03:19:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:32:59.551-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Ao vento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentado junto ao rio observa o horizonte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do outro lado a outra margem, no meio um rio brilhante e calmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pessoas e animais vão passando atrás e à frente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Combinei com a João que íamos almoçar lá amanhã?”, “Amanhã? Mas amanhã…”;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Venha, Bernardo. Porte-se bem! Ai que apanha, Bernardo.”;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Não sei como conseguem comer aquelas gorduras todas, Deus me…” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sente-se como um leitor caótico de livros rasgados ao meio. Sente-se uma página rasgada de um livro olhando para outras páginas que são lançadas pelo vento para lado nenhum…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-3918469572246270112?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/3918469572246270112/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=3918469572246270112' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3918469572246270112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/3918469572246270112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/sentado-junto-ao-rio-observa-o.html' title='Ao vento'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-9154768053528295418</id><published>2007-03-31T03:11:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:32:30.785-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>Aniz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me de descer uma rua com uma pesadíssima garrafa de aniz!:p &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era pequeno, três(?) ou quatro (?) anos, talvez mais, quiçá. Na terra do meu avô, no Alentejo (Montejuntos - junto à fronteira e ao Guadiana), no inverno, numas festas quaisquer, com lama até ao joelho (aqui é figura de estilo), via o meu pai comprar rifas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Farto da triste sina, foi-se embora. Pedi-lhe dinheiro para uma rifa, para ser eu a comprar. Foi andando. Dois ou três minutos depois, eu gritava por ele, a descer pela rua com uma garrafa de aniz na mão, contente, excitadíssimo por tão grande prémio. Diz-me ele que ainda nesse mesmo dia ganhei outra garrafa, dessa não me lembro, nem tenho ideia alguma. Só da de aniz... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-9154768053528295418?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/9154768053528295418/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=9154768053528295418' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/9154768053528295418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/9154768053528295418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2007/03/lembro-me-de-descer-uma-rua-com-uma.html' title='Aniz'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111981822963949847</id><published>2005-06-26T13:27:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:32:09.954-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Pó</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentado num banco do jardim aquece os velhos ossos ao sol.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com 70 anos, sem filhos e viúvo, vive sozinho. Não tem, sequer, animais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bebe um café religiosamente num dos cafés do bairro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As tardes são passadas conforme as estações do ano. No verão senta-se à volta de uma das mesas do jardim, a ver outros, como ele, a jogarem ora cartas ora dominó.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sua vida é assim marcada pelos breves momentos em que se "dá" aos outros. Conversa, opina, embora nunca fale de si.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É somente mais um entre muitos, não tem amigos, somente conhecidos. Já não vê interesse em realmente dar-se aos outros, em depender ou dispender, fartou-se. Está velho e espera a morte, pacientemente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já não se interessa por aquilo que os os outros mostram interesse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não padece de nenhuma doença, em 70 anos foi 2 ou 3 vezes ao médico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volta para casa pensando na vida que levou, nos amigos que teve, na esposa que morreu. Não sente mágoa ou dor, Deus assim o quis, pensa estoicamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vive à espera do fim. E isto define a sua vida!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111981822963949847?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111981822963949847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111981822963949847' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111981822963949847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111981822963949847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/p.html' title='Pó'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111874696159539024</id><published>2005-06-14T03:59:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:31:56.570-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Breve Narrativa com Palma ao Fundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a noite acabou em discussão. A esposa foi para o quarto. Ele ficou na sala, a olhar para o aparelho de televisão sem prestar atenção a nada. Ficou por ali cerca de uma hora. Quando chegou ao quarto ela dormia. Ou fingia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deitou-se a seu lado. A distância que os separava parecia um fosso. Tentou dormir, fechou os olhos. O pensamento fugiu-lhe, ou melhor passeou pelos labirintos da memória. Lembrou-se de ver um concerto acústico, numa loja em Lisboa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há quantos anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembrou-se de estar com um amigo. Chegaram horas antes. Foram fazendo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A salinha foi-se compondo. Nenhum deles namorava. O amigo lançava piropos baixos, que só ele ouvia, a cada rapariga jeitosa que passava. Ele observava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A alguns metros deles duas amigas sentaram-se. Olhou para as duas, mas o olhar fixou-se numa. Ela olhou para ele, notou que a observava. Desviou o olhar, ele envergonhado também. O artista demorava a chegar. Olhava para ela sub-repticiamente. Notou que ela também o fazia.O concerto começou. Uma das músicas diz:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque terras de sonho andaste,&lt;br /&gt;Que Mundo te recebeu,&lt;br /&gt;Que monstro te meteu medo&lt;br /&gt;Que anjo te protegeu,&lt;br /&gt;Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ele olha para ela, olha para o seu sorriso. Sente-se a planar. Nem sequer sabe o nome dela. O amigo olha para ele, sorri e diz: Aquela é gira.E ele pensa: Cala-te. Não estragues o momento. A música acaba. Olha para o músico, e bate palmas.Uma nova música começa a ser tocada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Os teus olhos são cor de pólvora e o teu cabelo é o rastilho&lt;br /&gt;O teu modo de andar é uma forma eficaz de atrair sarilho&lt;br /&gt;A tua silhueta é um mistério da criação&lt;br /&gt;E sobretudo tens cara de anjo mauCara de anjo mau, tu deitas tudo a perder&lt;br /&gt;Basta um olhar teu e o chão começa a ceder&lt;br /&gt;Cara de anjo mau, contigo é fácil cair&lt;br /&gt;Quem te ensinou a ser sempre a última a rir?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os seus olhos encontram-se, ela sorri timidamente. Ele sente, mesmo, o seu chão tremer. A troca de olhares demora uma eternidade. Já não se lembra quem o afastou, mas isso também não interessa. Olhar para ela lembra-lhe uma outra música: &lt;em&gt;E o paraíso no teu olhar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O concerto acaba. Ele ainda fica por ali uns momentos. O músico está a dar autógrafos. Nota que ela também ficou. Passa algumas vezes por ele. Lentamente, como que a dar oportunidade para que ele lhe diga alguma coisa. Ele não tem coragem. De dizer olá, um simples oi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sabe porque é que se foi lembrar daquele concerto agora, neste momento. Lembra-se da frustração na ida para casa. Lembra-se de uma música lhe lembrar o fracasso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eh, pá, deixa-me abrir contigo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Desabafar contigo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Falar-te da minha solidão&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ah, é bom sorrir um pouco&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Descontrair-me um pouco&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu sei que tu compreendes bem&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não se lembra da cara da rapariga, nem de qualquer traço distintivo. Da cor do cabelo ou dos olhos. Nunca soube o nome dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há felicidade a pequenos passos de ti, o medo de falhar, de tentar pode levá-la embora. Olha para a mulher, chama-a. Ela acorda facilmente, se é que alguma vez estivera a dormir. Tem os olhos vermelhos. Ele pede-lhe desculpa e abraça-a.Uma outra música lhe vem à mente, mas facilmente ele afasta-a.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E quando te voltar a apetecer seguir em frente,&lt;br /&gt;Se me quiseres acompanhar,&lt;br /&gt;Canta uma canção de amor,&lt;br /&gt;Pinta os olhos cor de mar...&lt;br /&gt;Põe no teu peito uma flor,&lt;br /&gt;Traz um amigo qualquer&lt;br /&gt;E vamos juntos abraçar o sol nascente&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora a música é deles. A letra são eles que a vão escrever juntos…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111874696159539024?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111874696159539024/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111874696159539024' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111874696159539024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111874696159539024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/mais-uma-vez-noite-acabou-em-discusso.html' title='Breve Narrativa com Palma ao Fundo'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111861022180566085</id><published>2005-06-12T13:55:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:31:33.440-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Automitografia (4ªpt)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O limbo pode ter o sentido de local para onde se deita o que já não é útil, eu já não me considero muito útil, mas daí a ser um inútil, enfim! Gostaria que encarassem o limbo literário como uma dimensão para onde nós, personagens e locais da literatura, vamos depois de acabadas as histórias ou estórias. Seria de muito mau gosto que logo após a nossa utilização morrêssemos. Ora eu nunca estive tão vivo, em cada leitura eu revivo, em cada adaptação (seja teatral ou cinematográfica) eu ganho mais força e é nesta força e no vosso coração que eu continuo vivo. Vejam o limbo literário como um local para onde todos nós personagens vêm depois do fim. Nós não morremos, estamos só à espera da próxima chamada, cada vez que precisam de nós, falam em nós, é aqui que nos vêm tocar à porta. É esta a nossa última morada e que bela morada, esta tem sido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não imaginam a minha alegria quando após morrer, abri os olhos e vi Tebaldo e Páris olhando para mim de uma forma benevolente, pedindo desculpa por tudo o que tinha acontecido entre nós, explicando-me que a culpa não era deles, nós eramos simplesmente uma essência, a essência Shakespeariana. Não foi muito difícil de compreender, (já que todos nós tinhamos falado com o nosso criador) mas no momento seguinte senti uma mão no meu ombro, era a de Mercúcio e logo a seguir vi Julieta a materializar-se e a abraçar-me. Oh, que felicidade!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a minha história não acaba aqui, nem assim. Após estarmos todos juntos contámos uns aos outros o que tínhamos vivido, e fizemos daquele local a nossa segunda casa, isto porque de vez enquando somos chamados por alguém (leitores, encenadores, espectadores, ouvintes), mas no fim cá nos encontramos todos. Mas não pensem que este limbo é só de personagens da minha história ou época, não!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se querem saber fiz por aqui amigos, alguns dos quais bastante interessantes. Um dia estava a passear com Julieta, quando um desconhecido ofereceu-lhe uma rosa. Eu estava pronto para desembainhar a minha espada, mas Julieta não aceitou a flor, levou-me à razão e continuámos a andar. O estranho correu atrás de nós pediu-nos desculpa e passamos uma tarde inteira a falar com ele. Ele também é um fidalgo, chama-se D. Juan e é espanhol. Disse-nos que passa a vida (literalmente) à procura da mulher ideal, até hoje sem sucesso, vemo-lo pouco, mas sentimos pena dele porque para mim e Julieta foi fácil encontrar o verdadeiro amor, para ele nem por isso. Somos também muito amigos de um casal italiano: Dante e Beatrice, se bem que já nos confidenciaram que o nome verdadeiro dela não é Beatrice, no entanto teimam em não nos dizer o nome verdadeiro, sabe-se lá porquê. Eu morri por amor a Julieta mas este homem foi ao Inferno resgatar a sua amada, dão-me arrepios só de pensar em tão horrível local, mas analisando o caso, foi mais difícil ir até ao reino de Mefistófeles do que engolir um frasco de veneno. Tenho um grande respeito por este homem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está cá também um português, Carlos da Maia é o seu nome, contou-nos a sua triste história, ia casando com a sua irmã. Os leitores dirão que este mundo é louco, não sei. É o meu, só posso fazer o melhor que puder para me sentir feliz nele. Mas não há dúvida que é um mundo rico, existem pessoas/personagens de todo o mundo, de várias épocas, todos nos damos bem, devemos isso aos nossos autores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas antes de acabar sinto a obrigação de vos contar algo que aconteceu no mês de Abril em 1616. Estávamos cá todos no limbo, aparentemente ninguém nos lia nessa altura, quando fomos levados por algo ou alguém para uma sala branca enorme juntamente com outras personagens, algumas bastante importantes: o rei Lear, o rei Henrique VI, o rei Ricardo III, o rei Oberon e sua esposa, a rainha Titania. Júlio César. Hamlet. Otelo. E todas as outras personagens de Shakespeare. Aí ouvimos então uma voz, como que a voz de Deus que nos dizia: «Eu parto, mas não morro, vocês são a minha essência, criei-os com a minha imaginação. Amigos, inimigos, amantes, traidores, cada um tem a sua natureza mas todos são a minha essência. Eu não morro enquanto vocês existirem.»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compreendemos aí que o génio que nos criara tinha morrido, não o meu pai, mas o meu Pai, o meu Verdadeiro Pai. Não fizemos um minuto de silêncio, mas antes um minuto de verdadeira alegria, não porque estivessemos contentes, mas porque achávamos que era a melhor homenagem que lhe podíamos dar, não o silêncio, mas um …morreste, mas para morrer é necessário nascer e ao nascer trazias já o génio para nos criares. Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficámos orfãos, mas felizes por fazer a vontade a nosso pai para sempre. Eu não sou escritor, sou uma personagem, mas convivendo aqui com tantas outras personagens, sinto-me como se lesse um enorme livro que começou quando o primeiro homem escreveu algo e terminará quando o Homem morrer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;FIM&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111861022180566085?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111861022180566085/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111861022180566085' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111861022180566085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111861022180566085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/automitografia-4pt.html' title='Automitografia (4ªpt)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111839586490491646</id><published>2005-06-10T02:22:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:31:21.272-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Automitografia (pt3)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os Montecchio e os Capulleto há muito que tinham os seus rancores, tudo era desculpa para uma zaragata, o mais pequeno gesto ou olhar dava origem a um espectáculo, não poucas vezes manchado de sangue e violência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha morte e a de Julieta (ah doce Julieta) levaram, ao menos, ao fim dessa inútil disputa, disputa da qual nenhum dos lados se lembrava da origem, tinha-se tornado mais uma desculpa para alguns se afastarem do seu dia-a-dia! Os próprios criados criavam zaragatas entre si! Isto, claro, para que os seus amos não fossem humilhados, pois! Farto de tanta desordem, ainda por cima criada por duas das mais influentes famílias da cidade, o príncipe «explodiu» e ordenou a pena de morte para quem mais uma vez disturbasse a paz da cidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo ser historiador mas, se a memória não me falha três guerras civis tinham sido desencadiadadas pelas minhas duas famílias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas deixemos, por enquanto, estes factos históricos e familiares e passemos a um resumo das minhas “actividades”. Tinha nesta altura dezasseis anos e tinham os meus olhos passado por uma certa donzela de seu nome Rosalina, o meu coração, pensava eu, tinha acelerado, os meus olhos nunca tinham visto nada igual e eu senti-me apaixonado. Disse-me depois Frei Lourenço «…o amor dos jovens não reside no coração, mas sim nos olhos.». Na impossibilidade de chegar ao objecto do meu amor, fechava-me em casa, no meu quarto, tornando o dia em noite, única altura em que conseguia sonhar, e sonhava com ela. O meu querido primo Benvólio e o meu fiel amigo Mercúcio querendo-me são e não doente convenceram-me a ir a uma festa dada pelos rivais de minha família para que eu visse que o que eu sentia não era senão uma atração. Querendo-me salvar do amor puseram-mo como se de uma corda no pescoço se tratasse. Andando pelo salão, tentando encontrar Rosalina com os meus olhos, vi a mais bela mulher de que o mundo tem lembrança, Julieta! Dizem que só se começa a viver depois de amar, eu pensava que já tinha começado a viver antes de conhecer Julieta, mas não! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só a partir do momento em que os meus olhos a viram, é que o meu coração começou realmente a bater. Senti-me como que… Já amaram realmente? Sim? Então sabem o que quero dizer, há coisas que as palavras não conseguem exprimir, esta é uma delas. Mais vale viver do que sentir. Posso dizer que no momento em vi Julieta senti que o meu coração me tinha enganado até aí, era impossível eu ter amado … ah! Rosalina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não podia partir sem a ver mais uma vez, sem lhe dizer o que sentia. O meu coração já tinha inscrito nele o nome de Julieta! Meu pai diz que nessa noite vi o meu sol na varanda, e quem melhor do que ele para exprimir o que nós por vezes não conseguimos? O meu sol, nem menos, só mais do que isso. Julieta tornou-se nessa altura o meu sol, o meu norte, a minha razão de viver e morrer. Até de morrer, ah! como eu a amava, e amo ainda hoje. Falando com ela nessa noite na festa e mais tarde no seu jardim, , para saber se ela também me amava, soube que o meu sentimento era retribuído. Dirigi-me a Frei Lourenço para que nos ajudasse, a nossa ideia era que ele nos casasse o mais depressa possível. Frei Lourenço pessoa a quem eu considerava um segundo pai disse que sim e que tentaríamos juntar o útil ao agradável, tentando que com o nosso casamento saísse a declaração de paz entre as nossas duas famílias. Fomos casados por Frei Lourenço, mas não posso esquecer a ajuda da fiel ama, que amava Julieta como se sua filha se tratasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após o casamento e extasiado de tanta alegria, procurei Mercúcio e Benvólio para com eles a partilhar, encontrei-os na praça pública onde com Tebaldo se preparavam para lutar pela simples razão de um ser de uma família e o outro da outra. Tebaldo envolve-se com Mercúcio que tenta defender o meu nome e mata-o. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mercúcio, meu querido e fiel amigo, amaldiçoa as duas casas, expirando. Eu desvairado trespasso Tebaldo com a minha lãmina. Tebaldo é morto, sem saber, por um familiar seu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após tudo isto esperando a morte, ganho o desterro.. Nessa noite fui ter com Julieta e tivemos a nossa única noite de casados, de madrugada fugi para Mântua. Foi também nessa noite que Julieta me disse que seus pais preparavam o seu casamento com Páris. No meu desterro tive um sonho que me sobressaltou, embora o não compreendesse corretamente naquela altura, a minha esposa veio ter comigo, eu estava morto mas ela beijando-me deu-me a vida. No dia seguinte Baltasar disse-me que Julieta tinha morrido, comprei então um veneno para morrer com ela. Não sabia nessa altura, só o soube depois de morrer, que Julieta estava apenas dormindo. Cheguei ao cemitério, para morrer junto da minha esposa, e aí encontrei Páris que não compreendendo a minha presença naquele lugar quis duelar comigo, momentos depois estava caído no solo morto pela minha espada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aproximei-me do túmulo (levando comigo Páris que tinha pedido que o colocasse no mesmo túmulo de Julieta) onde estava deposta Julieta. E como ainda a achei bela naquele momento! Chorando, levei o frasco de veneno à boca e bebi-o sentindo-me rapidamente inerte e ouvindo o meu coração bater cada vez mais lentamente, foi aí que morri e é aí que chegamos à minha terceira e última vida - a do limbo literário.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111839586490491646?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111839586490491646/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111839586490491646' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111839586490491646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111839586490491646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/automitografia-pt3.html' title='Automitografia (pt3)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111835213925815342</id><published>2005-06-09T14:13:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:27:30.244-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Automitografia (pt2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E assim nasci no ano de… esqueci-me! Ou talvez nunca tenha sabido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;William dizia-me que nem tudo era importante, se a peça tivesse qualidade, e as dele tinham, o público guardaria algumas personagens no seu coração, deste modo para uns nasci num ano, para outros noutro. Houve uma jovem que me imaginou precocemente a quebrar corações aos nove/dez anos, ainda hoje penso que me confundiu com o D. Juan! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o tempo aprendi que não precisamos (nós, as personagens) de termos toda a nossa vida escrita, determinada. Não é só o escritor que possui poder, nós também sonhamos, e quando o escritor nos dá um dia de férias na obra, podemo-lo utilizar para o que quisermos, o público nunca saberá. Eu, por exemplo, adoro imaginar/escrever a minha vida antes da obra de meu pai. A vida é minha, posso escrevê-la se quiser, ora!Se não concorda pense nisto, por acaso sabe o que fiz enquanto estive em Mântua? Shakespeare nada vos diz acerca disso, pensam que terá sido esquecimento?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasci no ano da Graça de Nosso Senhor de 1595, filho único nascido no seio da família Montecchio. Como a maior parte das crianças tenho as mais belas recordações de meus pais. Lembro-me de meu pai colocar-me no seu colo e contar-me histórias, contava-me apaixonadamente dos nossos antepassados e também daqueles que viveram em Verona, meu pai romanceava a construção do anfiteatro romano e como eu ficava maravilhado com a força de vontade e inteligência daqueles romanos que partindo de uma pequena região ocuparam o mundo conhecido quase todo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De minha mãe fiquei com a imagem de alguém temente a Deus, que me amava e me acarinhava, sempre que possível. Lembro-me de um dia em que com oito ou nove anos e passeando com um aio vi um raposinho, segui-o com todos os cuidados, não muitos já que a início parecia que ele queria sobretudo brincar, quando o vi esconder-se debaixo de umas moitas, o aio com medo de que algo me pudesse acontecer tentou impedir de me acercar mais, mas eu criança vendo pela primeira vez um raposinho vivo era consumido cada vez mais pela novidade e curiosidade. “A curiosidade matou o gato” diz o povo e eu só não morri porque o meu aio estava atento com medo que algo me acontecesse, isto porque das moitas surgiu um vulto, era a raposa mãe que ferida, tentava ainda proteger a sua cria. Vendo aquele vulto aproximar-se Alfredo, o meu aio desviou-me e puxou-me para trás, fazendo-me compreender que necessitaríamos de algum cuidado para que nenhum mal acontecesse. A raposa, no entanto, vendo-nos recuar, recuou também para o seu refúgio onde se deitou lambendo a sua ferida e dando, ainda assim, de mamar ao seu filho. Esta história ajuda a ilustrar a relação com a minha mãe enquanto petiz, mesmo extenuada (e não ferida, como na história) ou com algo mais para fazer a minha mãe estava sempre pronta para me proteger, alimentar física e espiritualmente, explicando-me sempre o que lhe pedia, mostrando sempre uma paciência infindável para o miúdo irrequieto que eu era.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi por volta dos meus doze anos que se juntou a mim e a Benvólio, meu primo e já companheiro de algumas aventuras, Mercúcio parente do Príncipe e meu fiel amigo. Começou nessa altura uma cumplicidade tamanha que iria terminar com as nossas mortes, pelo destino Benvólio foi o último a morrer, morrendo já velho com o desgosto dos seus dois grandes amigos não poderem estar com ele nos momentos de felicidade, tais como o nascimento dos seus dois filhos (valentes varões) e da Rosa do seu coração, bela fidalga como nunca os Montecchio tinham visto (nem minha mãe era tão formosa e como era minha mãe bela!). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com Benvólio e Mercúcio lembro-me de ir a cavalo para o Lago Garda, a menos de quarenta quilómetros de Verona, ao princípio da manhã, abrigando-nos do frio, quando caso disso, mas indo sempre para um local secreto, falando sempre disto e daquilo, tomando banho, pescando e fazendo mil e uma coisas que só os jovens têm paciência para fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora fôssemos grandes amigos, fomos trespassados por algo que cruza qualquer relação de amizade, o amor. Talvez fosse eu o mais propenso a apaixonar-me , não sei, apaixonei-me ou fiz que, por uma jovem florentina que estava de passagem. O amor era nulo, a atração já o não era tanto e sempre era desculpa para umas complicaçõezitas, os rapazes não podem ser completamente santos, fica(va) mal. O pai dela vendo que certo Montecchio pairava sempre por sua casa, e sendo ele amigo fiel dos Capulleto arranjou maneira de me magoar (pensava ele), marcando casamento entre sua filha e um Capuleto e convidando-me para o casamento como sinal de desplante, ora eu que nessa altura teria os meus catorze anos, nem fiz caso e no dia do casamento fui para o Lago Garda, onde fiquei alguns dias. Benvólio tinha-me feito companhia durante todo esse tempo, enquanto Mercúcio tinha ido ao casamento, quando chegámos a casa e deixando os cavalos a descansar, aparece-nos Mercúcio rindo e gracejando porque nunca tinha visto noiva mais triste, “ e já as vi tristíssimas, mas nunca como esta”, contou-nos então que a rapariga estava apaixonada por fidalgo de Florença, que já se tinha decidido a pedir sua mão a seu pai, mas seu pai, temendo um avanço meu, metera na cabeça que ela deveria casar com um Capuleto, este já com alguma idade e com tal cara que dinheiro nenhum lhe comprara ainda mulher. A pobre moça estava desconsolada e eu deveria temer pela minha pele repetia-me Mercúcio com alguma dose de preocupação, preocupação que se mostrou infundada já que nada aconteceu. Mercúcio confidenciou-me mais tarde que tinha medo que o florentino viesse ver a sua antiga amada e eu fosse dado por culpado daquela situação. Ao que sei o florentino casou com uma rapariga mais bela e com maior dote, da rapariga a última notícia que tive era que estava aumentando a sua descendência a olhos vistos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha vida anterior foi assim alegre, amado e protegido na infância, despreocupado e com alguma dose de loucura na adolescência. Foi então que meu pai me retirou a acção e colocou-ma na ponta da pena fazendo da minha vida uma das mais famosas tragédias de sempre, desta minha vida já vocês têm (espero) um certo conhecimento mas serei fiel ao propósito de contar a(s) minha(s) vida(s) e darei a minha visão dos factos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111835213925815342?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111835213925815342/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111835213925815342' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111835213925815342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111835213925815342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/automitografia-pt2.html' title='Automitografia (pt2)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111824947736136414</id><published>2005-06-08T09:47:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:27:50.763-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Automitografia (I)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Este já foi publicado em dois ou três blogs. O pessoal diz sempre que é um pouco grande.&lt;br /&gt;Como é óbvio tinha de o publicar aqui, foi escrito para um trabalho ou como trabalho para História das Ideias.&lt;br /&gt;Neste momento dedico-o ao Mário Gil que um dia leu umas linhas e pediu-me para o ler todo. Eu não o tinha comigo na altura e por isso, esperando que ele o leia aqui (Mílton, dá-lhe o link) posto-o aqui. E por capítulos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Vós que nasceis de ventre humano, dai graças! Pelo quê? Têm um mínimo de liberdade nas vossas vidas, enquanto eu……&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não nasci de ventre, mas de intelecto humano ou se quiserem da ponta de uma pena. O meu nome? O meu pai era um génio, actualmente é mesmo considerado um clássico. Tal como eu, mas…Não tive a “sorte” de “nascer” como personagem de uma comédia ou algo mais leve, meu pai e criador concebeu-me de uma forma mais altiva: «Chamar-te-ás Romeu, e serás personagem de uma tragédia, aí terás de sofrer por amor, mas serás recordado para sempre com carinho e respeito, tal como eu, (espero)». As palavras foram mais ou menos estas, desculpem-me os puristas mas a idade pesa e a memória enfraquece.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mas comecemos, parte da minha história já vós conheceis e é a única coisa que normalmente sabeis de mim, é o que vos interessa, o resto é…a minha outra vida, uma delas, pelo menos!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Já que perguntam são três! &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Uma, é a anterior à peça, ou seja tudo o que vivi que não interessava ao ávido público de teatro; a segunda, todos os que leram a peça conhecem; a terceira é aquela vivida aqui, neste local a que me habituei a chamar de limbo literário. Mas avancemos que terei oportunidade de falar um pouco dessas três vivências.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111824947736136414?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111824947736136414/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111824947736136414' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111824947736136414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111824947736136414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/automitografia-i.html' title='Automitografia (I)'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111824904949624486</id><published>2005-06-08T09:41:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:28:47.839-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentado na areia olha o mar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O verão já passou há muito. A praia está deserta. O vento frio irrita-o. Fecha a mão num pouco de areia. Inclina-a e vê a areia a passar-lhe pelos dedos. Tantos planos, tantas ideias - o futuro já estava feito, antes mesmo de...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levanta-se e caminha até à água.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grita contra o fado, destino, pathos, o que quer que seja que lhe estragou a vida. Fica ali parado durante alguns minutos. O vento seca-lhe o rosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Baixando-se agarra em mais alguns grãos de areia. Abre a mão e vê o vento sacudi-los. Olha para a mão e sorri. Há grãos de areia que não foram levados pela força eólica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Vou ser um destes grãos de areia, seguro apesar da violência das circunstâncias."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111824904949624486?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111824904949624486/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111824904949624486' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111824904949624486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111824904949624486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/sentado-na-areia-olha-o-mar.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111813714225518385</id><published>2005-06-07T02:37:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:29:03.110-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentou-se à mesa, acendeu um cigarro e pensou na história que imaginara. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto fumava via as personagens, a acção, os motivos. As palavras passeavam à sua volta. Levantou-se e foi para junto do computador. Olhou para o teclado, ia a sentar-se quando o telefone tocou. Atendeu e saiu rapidamente de casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltou horas depois, cansado e esfomeado. Depois de comer, sentou-se ao computador. A história já não fazia sentido, não tinha a mesma força. A alegria de pensar na narrativa tinha-se desvanecido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentou-se a ver, estupidamente, televisão. Deitou-se e adormeceu. Sonhou, sonhou com acontecimentos naturais mas, ao mesmo tempo, fantásticos. Ao acordar tentou pôr em ordem o onírico da coisa. Não conseguiu. Desanimado pensou: - Nunca vou escrever nada de jeito!&lt;br /&gt;Deitou-se a pensar em novas histórias…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111813714225518385?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111813714225518385/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111813714225518385' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111813714225518385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111813714225518385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/sentou-se-mesa-acendeu-um-cigarro-e.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111813697834825709</id><published>2005-06-07T02:34:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:29:19.235-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deitado na penumbra do quarto, descansa do acto. Vai afagando o corpo da companheira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está quase a cair no sono quando a ouve dizer : "Tenho sida!".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num instante acorda, e pensa em como se viu nesta situação. A noite começara num dos bares in da cidade. Tinha ido só, mas saíra acompanhado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uns olhares aqui e ali, um copo pago e um convite acabaram a caminho de casa no carro. Daí para a cama tinha sido um pulo. Quem pensa em proteção ou em outra coisa qualquer? O álcool nos organismos também ajudara.Mas... sida? e porque só agora? e porquê dizê-lo assim? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apeteceu-lhe gritar, sentiu-se enojado, com azia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então que ela repetiu o que tinha dito: "Tenho sede".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estupidamente, conseguiu dizer: "Uh?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Tenho sede, repetiu ela, podes ir buscar-me um copo d´água?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Cla- cla-cla-claro!" conseguiu balbuciar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tremer, mas aliviado, foi até à cozinha...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111813697834825709?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111813697834825709/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111813697834825709' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111813697834825709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111813697834825709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/deitado-na-penumbra-do-quarto-descansa.html' title=''/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111805256449461603</id><published>2005-06-06T03:06:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:29:30.889-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Fim de tarde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A noite começa a reinar, a escuridão vai preenchendo a sala. Sentado, cansado e entorpecido ouve a música que vagamente sai do rádio. O dedo acompanha, com dificuldade, o ritmo. A custo consegue perceber a letra. Começa apensar no que está a ser cantado. Chega à conclusão de que a música nada diz. Farto de trabalhar, ri-se como outros ganham a vida com pequenos nadas. Devagarinho, vai até à casa de banho onde enche a banheira de água.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111805256449461603?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111805256449461603/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111805256449461603' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111805256449461603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111805256449461603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/fim-de-tarde.html' title='Fim de tarde'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111805203739613840</id><published>2005-06-06T02:57:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:26:41.953-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>O Passeio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sorri e corre dum lado para o outro. Sente-se livre. Está farto de estar em casa e passear num centro comercial é uma novidade e ao mesmo tempo uma aventura. Corre duma montra para outra. Vê brinquedos. Pede com os olhos e com palavras. Excitado, espera por uma resposta.&lt;br /&gt;O pai, farto da balbúrdia semanal, sorri rangendo os dentes. Lembra-se dos passeios com o pai ao campo. Aí sim, brincava, jogava à bola, corria, aprendia a ser criança.&lt;br /&gt;Olha tristemente para o seu filho! Sorri e pede-lhe calma.&lt;br /&gt;A mãe procura, atenta e lentamente, uma prenda para a sogra. Farta-se dos gritos do filho. As suas corridinhas e gritinhos cansam-na. Dentro duma loja, a mala empurra umas canecas para o chão. Paga-as a contra gosto.&lt;br /&gt;Cinco minutos depois o puto corre até ela e pede-lhe um brinquedo que vê numa montra. Pensa nas canecas e puxa o braço atrás. Dá-lhe uma bofetada, que o apanha desprevenido.&lt;br /&gt;“Tou farta de ti! Porta-te bem.”&lt;br /&gt;Uma lágrima cai, sorrateiramente, pelo rosto do catraio. A chapada magoou-o. Mas não na cara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111805203739613840?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111805203739613840/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111805203739613840' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111805203739613840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111805203739613840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/o-passeio.html' title='O Passeio'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13442939.post-111800496591706318</id><published>2005-06-05T13:54:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T05:26:18.830-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breves Narrativas'/><title type='text'>Breve Texto Sobre a Brevidade</title><content type='html'>Ao lado dela os carros passam numa correria desenfreada.&lt;br /&gt;Pensa na sua vida. Está farta dos pais, sempre a ditar ordens. Do namorado, que só lhe liga quando quer. De procurar emprego, sem sucesso. Dos amigos, que desaparecem quando ela precisa deles.&lt;br /&gt;Olha para o céu. Vê o sol e a lua.&lt;br /&gt;Duas crianças passam por ela, a correr e a brincar seguidas por um cãozito.&lt;br /&gt;Recebe uma mensagem no telemóvel. Uma amiga diz que está lá para o que for preciso. Sorri.&lt;br /&gt;Há tantas razões para viver. Avança em direcção à estrada, ouve o apito e é atropelada pelo táxi. Chega já morta ao hospital.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13442939-111800496591706318?l=brevesnarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/feeds/111800496591706318/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13442939&amp;postID=111800496591706318' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111800496591706318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13442939/posts/default/111800496591706318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brevesnarrativas.blogspot.com/2005/06/breve-texto-sobre-brevidade.html' title='Breve Texto Sobre a Brevidade'/><author><name>Tiagão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11016232572923478311</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
